- Romeu III – Apenas Natal.


[...] Logo, ela secou-se e correu escrever seus cumprimentos em cartões de Natal a cada pessoa amiga, em sua mesa de madeira velha, onde passou grande parte do seu dia ali. Então os enviou. Um ela fez questão de escrever com mais atenção... A do Papai Noel. Ela pegou uma folha especial, não que precise ser, e começou com as seguintes palavras... “Oi, meu velhinho... descansou bastante desde o último Natal? Esse ano passou rápido novamente e cá estamos no Natal de novo. Lembra o presente que te pedi ano passado? Então... eu não tenho mais ele... Simplesmente o perdi em algum lugar... Estou tentando procurar, mas não acho. Nesse Natal tenho um pedido a fazer: eu gostaria de passar dormindo, onde, em meus sonhos estaria comemorando o Natal com ele, o meu Romeu. Queria que você pudesse ver, Papai Noel, minha árvore de Natal que montei na minha mesa de cabeceira. Ela é pequena e iluminada e tem a foto do meu Romeu do lado... Então, Papai Noel, desejo-te um Feliz Natal e Feliz Ano Novo também e neste Natal eu agradeço a Deus por tudo, pois Romeu deixarei para pedir ao senhor, apenas, Natal que vem, já que neste Natal não o ganharei mesmo. E antes de eu ir, tenho mais um desejo a fazer: Entregue esse bilhete ao Romeu, mas não diga quem o escreveu." Ela enviou a carta, sem endereço ou CEP e ficou olhando da janela, esperando o Natal seguinte para o seu pedido fazer.

“E no bilhete dizia: Eu desejaria estar com você; Feliz Natal, amor.”

- Romeu II – Esmero.


[...] E, cansada de estar na janela, sabendo que ali continuaria, mas nada aconteceria, resolveu lavar-se. Encheu a banheira com água quente, pingou gotas de chocolate para dar uma essência calorosa, jogou pétalas de rosas, para dar um aspecto romântico e jogou um pouco de pó de espuma, para ali, estar a magia. E vai tirando sua roupa, peça por peça, como se estivesse em câmera lenta e vagarosamente vai entrando na água. Ela deitou em sua banheira e ali resolveu ficar; de olhos fechados, de mente fechada, de sentimentos fechados. E mesmo tentando tirar absolutamente tudo de sua cabeça, seu amado ainda sondava por ali. Então ela resolveu esfregar-se e ensaboou seu rosto. Num único jato d’água ela banha seu corpo e nele vai o suor e seu amor, quando, ela decide, de vez, acabar com tudo, abrindo o ralo e deixando tudo ir embora.

“E eu desejei que você apenas fosse.”

- Romeu.


[...] e em sua janela, onde todas as manhãs passara algumas horas, sentiu uma leve brisa de uma fragrância de rosas que tomou sua mente e fez lembrar naquele ramalhete que ganhaste a alguns dias atrás. Ela simplesmente paralisou e fechou os olhos, fazendo um “bico” beijando a boca de seu amado, que, na realidade era a ilusão de sua mente, onde a fragrância havia dominado-a. Algumas lágrimas pediram pra sair, mas ela disse a si mesma que nunca mais choraria, por nada; e assim foi. E ao correr o dia, o Sol desencontrou-se com a Lua novamente e a noite caiu, mas estava escura e tenebrosa, onde não havia se quer uma estrela ou a própria Lua. Ela disfarçou, fechou seus olhos, imaginou-o de novo e segurou suas mãos. O brilho de seus dentes, o brilho dos seus olhos, o brilho de sua boca... fez iluminar a noite que até a Lua e as estrelas, espreitando por de atrás das negras nuvens, ficaram com a inveja do brilho que saia ao seu redor, segurando as mãos dele, mesmo ele não estando ali.

“Não estou incluído, mas te ilumino.”

- calar.


Não quero mais expor meus sentimentos. Não quero mais me expressar. Não quero ter vontades vãs e nem auto-descontrole. Hoje eu fumo pra curar a ansiedade. Eu bebo pra curar a solidão. Uso drogas pra fugir da realidade. Tomo calmantes para não enlouquecer... Não sei quem fui, ou quem sou e nem quem serei. Esqueço da vida e de tudo em minha volta. Explodi meu mundo e todos que viviam dentro dele. Sou apenas um organismo em sua estremeção pela ausência de calor, vivendo, fumando, sobrevivendo...

“ Talvez eu acorde de uma vez sem o tormento diário de sua presença, derrotado por você; caindo para sempre.”

- e desde o começo.


Sempre peguei-me perguntando, por que eu? O que será que eu fiz para te merecer? Apenas elogiei uma foto sua e já me sondas? Sim, estava frágil, deveria saber desde o início; mas não... Eu sempre quis acreditar em algo bom que poderia mudar minha vida, e olha como estou agora!? Deveria ter detido o sentimento logo de início, tipo, como uma pessoa popular poderia gostar de uma pessoa que nem se quer tem amigos? Mas a vontade e a infeliz esperança gritaram mais alto e não pude ouvir mais nada além da vontade de estar somente com você. Tentei e dei o melhor de mim, mas, o suficiente nunca foi uma qualidade sua. Com certeza estás vivendo um conto de sonho de fadas real; sentindo na pele. E fico feliz por sentires assim, já que, antes, me proibia de ficar cegamente apaixonado, e agora assim estás; ironia, não?! Pois é... Não posso te culpar por eu não ter despertado algo de melhor em você, não posso. Devo fazer com que o destino faça tudo, ou devo arriscar e saber se seremos nós eternamente? Xii, lá vem a inquietação de novo. Não sei, viu?! Juro que não sei. Como será que é sentir o gosto do fim? É amargo e dói. Estou tentando jogar pedras de gelo na última chama que resta acesa, mas sempre quando falta apenas uma pontinha de fogo pra apagar, vem uma faísca e volta a reacender. Por que não me detona de uma vez? Se você tiver de ir, eu desejo que vá, porque sua presença permanece aqui e não vai me deixar em paz.

“Mas eu preferiria morrer sozinho do que morrer sonhando.”

- talvez.


Talvez eu tenha te perdido, talvez apenas me afastado. Talvez eu tenha sentido amor, talvez tenho sentido sua falta. Talvez te odeio por isso, talvez seu olhar me ronda. Talvez sua voz silenciou-se para nunca mais cantar nossa canção, talvez cante todos os dias para si e mais ninguém. Talvez eu durmo segurando seu dedo indicador, talvez o relógio me acorda e estou segurando meu próprio dedo com força. Talvez eu não use seu perfume e apenas, a cada manhã, abro ele para sentir-te mais perto de mim, talvez isso não seja o suficiente. Talvez a vida esteja ensinando-me alguma lição de paciência e fidelidade, talvez eu deva correr e me esconder. Talvez eu queira gritar, o mais forte que meu pulmão aguentar, pedindo para estar comigo, de qualquer maneira, talvez nem eu próprio ouço o som. Talvez o tempo fizera com que minhas lágrimas secassem por completo, talvez apenas gotas de solidão e saudades escorrem do meu coração. Talvez desejo-te aqui comigo para nunca mais partir, talvez não passe apenas de um desejo, talvez irreal.

“Apenas tenho certeza do seu amor e do seu sorriso...”

- nem pra todos.


Hoje é um dia feliz. Sim! Estou esperando ansioso. Corro pro banheiro tomar “aquele” banho quente e demorado, pra ter certeza de que ficarei cheiroso. Enrolado na toalha irei pro meu quarto escolher minha melhor calça e a camiseta nova que ganhei semana passada. Passarei um perfume, aquele preferido, que tanto gostas e espirrarei a quantidade precisa ou até a desnecessária, só para te fazer bem. Correrei passar creme no cabelo e escovarei meus dentes. Espero estar perfeito o suficiente para agradar-te. Ainda não sei que tênis usar... Haaa, já sei!! Estou um pouco nervoso, mas confiante. Esqueço de problemas, de serviço, da minha religião e corro pra rodoviária e procuro-te. Meu coração disparou e naquele momento senti, realmente, o que é sentir o amor. Um sonho!

“E Sol escureceu.”

- sopro.


Hoje, ao acordar, recebi uma noticia que não me agradou muito. Quase nunca “coisas” me desanimam, mas essa me destruiu. Se hoje é um sacrifício sua presença, imagina depois? Sei que não será qualquer distância a mais ou a menos que arrancará você de mim, pois o que se conquista nunca se vai. Não sei se isso que temo; nem bem sei mais. Só me limitei a não dar-te minha presença; por você. Perdi-me em sofrer pelo futuro incerto; um erro. E, olhando pela janela, percebi que o dia entristeceu-se e vi a chuva cair, como lágrimas. E para as pessoas, irei engolir minha tristeza e morderei minha língua, fingindo que tudo está bem, agindo como se nada estivesse errado... Será que vai ficar mais difícil que isso? Gritei aqui, onde estou, e ninguém pôde me ouvir; apenas queria ficar e que essa falsa realidade fosse embora.

"Agora só me resta contar nos dedos os dias e os minutos até o dia chegar, sem sua presença na minha partida."

PS.: Apenas diga-me que tudo ficará bem...

- nostalgia.


E hoje lembrei-me de um passado um pouco distante, sabe?! Quando tudo era mais fácil, na vista de quem não tinha compromisso com a vida, consigo mesmo, nem com o mundo. Bastava apenas o Sol nascer e brilhar, que o dia seguiria em frente. O mundo era feito de ilusões e fantasias com castelos, príncipes e princesas em seus castelos. E o vento soprando a favor levando-me a qualquer lugar, onde, embaixo de minha cama, virou uma aldeia momentânea onde, com minha espada derrotava o inimigo e ganhava a mão de alguma ou qualquer princesa. Tudo besteira!!! Hoje sei o quanto era fácil a vida que levei, onde não precisaria sofrer com amores, o futuro incerto, trabalho, nem com a saúde. No passado, as pessoas cultivavam amor, hoje interesse. Antes amizade, agora competição. Antes certeza, agora ilusão. Antes Deus, agora uma nota de cem.

“Mas é caminhando que se faz o caminho, pois nenhuma ideia vale uma vida."

- a mais bela inspiração.


E ao entrar com ela em um quarto, coloco o vinho sobre a mesa e as taças junto às rosas, que num momento de descuido ela empurra tudo o que havia sobre a mesa, esmigalhando as taças em mil pedaços e vinho derramado sobre o carpete azul escuro, para poder sentar e encaixar seus pés em meu quadril, beijando-me impacientemente puxando, agarrando, arranhando... Sinto minha camisa passando pela minha cabeça e naquele momento senti o quão seu seio era quente e viril. Ao puxar minha calça, fecho os olhos e sinto minha cueca se partindo em dois pedaços, rasgando-a com ignorância e voracidade. Faço-a deitar na mesa, puxando seu cabelo, levantando sua saia e penetro meu sentimento em seu coração rápida e dolorosamente. Seus gemidos faziam-me mais picante, onde pegando-a de qualquer jeito, coloco-a de quatro e entro em seus sonhos mais cruéis e abraço-a, trepidamente. Sinto o cheiro do seu suor salientando ainda mais meus desejos; molhada; salgada. De um grito e outro, puxo um revolver da gaveta e atiro em seu coração, agoniada, morrendo, gemendo... Desfalecida, continuo com meu movimento delirante até que meu líquido é jorrado por todo seu corpo. Visto-me e deixo quatrocentos reais na mesa ao lado da cama, onde havia um corpo feminino morto, estuprado, gozado...

“Não posso continuar acreditando.”

- meus sonhos não são tão vazios.


E eu entendo-te em querer procurar a felicidade ao lado de outra pessoa e, pode parecer estranho, mas te apoio, sabe?! Sei que pra você a popularidade e o interesse sempre foi maior que qualquer coisa e sei que tentei mudar-te, mas não consegui. Entretanto sua felicidade pra mim é o que mais importa, pois “tudo é relativo quando [...]”. Mas e se essa pessoa falhar? E se ela não fizer-te bem? E se fizer-te infeliz? E se fizer-te chorar ou sofrer? Eu não suportaria, sabe?! Talvez eu nem precise ouvir você gritar, pois eu sentiria sua necessidade e logo sairia correndo pra você, para salvar-te de novo; para mostrar-te a felicidade novamente. Mas e se teu orgulho, como sempre gritou, gritasse mais alto e não permitir eu entrar? E nas noites frias quem iria abraçar-te? E se numa tempestade, temer o escuro, quem socorrer-te-á? Juro que estou sem saber o que fazer, pois estou vivendo sim, mas sabe quando fica faltando algo? É... eu sei o quanto é chato e perturbador alguém ficar insistindo em algo que a outra pessoa não quer, mas se é o que eu quero, tendo você como um objetivo, terei que enfrentar sentimentos e pessoas para tentar conquistar-te novamente, mas agora parece estar feliz e finalmente conseguiu apaixonar-se por completo. Agora sabe como me sinto, tipo, sem chão quando não está ao lado de seu amor? Olhar para o lado da cama e sentir o vazio ao invés do seu amor? Sem mais dramas, quando vejo sua foto eu sinto o seu cheiro e o calor dos seus lábios. Eu estou sentindo-me enfraquecido, mas quero acreditar, pelo céu que reina sobre a Terra, que “nós” ainda não morreu, e mais cedo ou mais tarde vou te ver novamente, sendo que, mesmo que isso, pelo menos pelo seu lado, sinto que talvez não aconteça, mesmo assim ainda quero continuar acreditando. Eu só quero que você saiba que eu ainda me importo e que sinto sua falta.


“Sei que nunca gostou quando eu falava assim, mas ainda continuo precisando de você.”

- ninguém me disse como fazer.


Depois que eu cheguei do serviço, ao tomar um banho eu vi meu rosto sobre o vapor embaçado do vidro e não me reconheci. Fiquei olhando por alguns minutos alguns traços novos que antes não estavam ali. Fechei os olhos e de repente estava sentado na frente do computador olhando pra sua foto. Senti-me estranho, como se a Terra estivesse virando, arrastando-me pra dentro da tela, pois senti que estava escorregando. Segurei na cadeira e nada aconteceu. Fechei os olhos novamente e quando abri estava abraçado a você. Você dormindo e eu falando contigo, como sempre fiz. Comecei a falar tanto que você despertou e bateu sua mão em meus olhos e quando abri estava em um avião. Não lembro bem o rumo que estava pegando, mas sabia que você estava ali. Segurei minhas mãos, abaixei a cabeça e fechei os olhos. E quando abri, encontrei-me sentado sobre algo macio, sentindo um vento gélido... Olhei para o céu e as estrelas parecia estarem perto; estava sobre uma nuvem. Aquele momento era o em que mais preferi estar e entrei em êxtase. Mas um vento forte soprou meus olhos e quando os abri estava no chão; contando as horas passarem, contando dias de felicidade e contando meus medos pro meu consciente. Estava tão entediado que quando acordei estava na frente do espelho me observando. Mas estava doendo algo do meu lado direito e pus a mão e senti que era sua falta. Estava tudo bagunçado e tudo vazio. Existem oceanos entre a gente e todos te mostraram pra onde fugir e você foi. Alguém pode levar toda essa dor embora?

“Eu posso viver feliz sem você, mas não por completo.”

- voz clamada.


E quando o mundo começar a cair e seus olhos começarem a derramar lágrimas, por favor, não chore! Logo suas lágrimas secarão e estará sorrindo de novo. E quando fechar seus olhos, no seu quarto e partir para um de seus sonhos malucos, num lugar onde tudo é mais fácil, transportando pessoas e vontades ao seu redor em apenas segundos, e acordar e sentir-se solitária, pensando que ninguém nunca quer ou importa-se em explicar o que é a dor do coração e o que ela pode trazer, acalme-se... Logo de manhã o Sol irá nascer. E quando estiver despencando dum abismo sem fim, perdendo pedaços e sua fé, sendo digerida por um buraco negro, onde é difícil de encontrar o chão quando o medo toma conta e ninguém estende se quer a mão para você segurar-se, abra seus olhos e olhe dentro de sua alma; olhe dentro de você mesmo, como seu mais velho amigo e uma voz interior dar-te-á uma força para guiar seu caminho, dando-te confiança para seguir em frente, fazendo do seu dia nublado, um mais brilhante e único.

“Acredite em você.”

- confins.


E se de repente meu coração sentir sua falta? Nos agouros de noites escuras, gemendo de medo de novo modo de vida que implicou-me, forçou-me a viver, onde eu havia pintado uma grande tela de douradas perspectivas às vezes próximo, às vezes não. Mas você a destruiu, com minha ajuda, e agora sobrou apenas o cavalete jogado no canto do quarto, ao lado da escrivaninha que guardei sua foto, que revelei e você não soube. E na mesma, está guardada minha carteira com alguns vinténs e a aliança onde, lembro até nesse momento a cena e seu rosto envergonhado ao recebê-la. Quer saber de uma coisa? Eu faria de novo; sim. Apaixonar-me-ia por você e amar-te-ia, pois eu nunca escondi o que eu realmente senti e sinto. Apenas faça-me saber o recíproco, pois o cavalete está guardado e escondido para ninguém mais pintá-lo.


“Hoje não, amanhã sim... quem sabe.”

- apenas um jogo maluco.


Passou o mês de setembro e com ele outubro está partindo, tão rápido como se minutos fossem horas. E no cair da noite sinto sua presença a mim vindo, como uma brisa que entra, indesejável, pela canto direito da janela mal fechada, de uma fresta vã, resfriando minh’alma. O insano céu escuro bordado de estrelas incandescentes gritando seu fulgor a beira-mar, expondo seu astro noturno, que prevalece no reflexo da água de seus olhos que insistem em cair. Dois corpos se amando sobre um lençol manchado de desejo, sobrepondo de um ventilador para tentar cessar a chama que ali queimava; Mas o vento cintilante fazia com que a chama cada vez mais se espalhasse. É o amor, o estresse, a paixão, o desejo e o peso na consciência circulando, juntos, num único ser; indeciso. Num grito de desespero cria-se um muro, partindo um coração e criando duas almas. E no começo da manhã seguinte seguiremos para nossas obrigações, sem o primeiro beijo apaixonado de bom dia.

“Só não deixe que um erro nos mantenham afastados.”

- procurando sentido nos sentimentos.


É como se todos fizessem com que eu aprendesse,
Nem que pra isso precise doer um pouco, mas da melhor forma possível.
E na velocidade da luz os pensamentos voam...
Pensei que não, mas você continua irresistível.

Tá... Admito que aprendi várias coisas
Com o presente e com o passado.
Mas tem coisas que é difícil de compreender
Quando eu lembro em estar ao seu lado.

Pensei que precisaria perder
Para dar seu devido valor
E estava certo.

Oh, tempo... Tempo...
Seja meu amigo ao menos uma vez
E deixa-me recomeçar...


“O teu vento vem me perturbar.”

- está por todos os lados.


Convosco, peculiar
Vi que não foi a primavera.
Nem o outono
Ou o inverno, que tanto espera.

Não foi uma ogiva nuclear
Nem uma bomba a explodir.
Foi uma explosão natural
Que meu coração passou a sentir.

Livre do medo,
Também o impossível eu deixei.
Apenas abri meus braços
E meus olhos eu fechei.

Convosco, peculiar
Não fez sentido, comigo.
Abrangeu seus caminhos
Como um velho e não esquecido amigo.

"E eu estou fora de mim."

- pesadelo.


E na sombra deste arvoredo
Nossos lábios se tocavam.
Meu anjo belo de Deus, de tão doce
Nossos olhos se fechavam.

Sua voz em mim entrava
Como o mais glorioso hino.
Então a face empalidece
É seu som que torna-o divino.

Se nós morrermos num beijo
Acordaremos no céu que merecia.
E você tão doce
Nos sonhos junto a mim adormecia.

Quando olhei para o lado
Vi meu travesseiro e o vazio.
Oh, insano sonho
Que minh’alma pôs-se em desvario.

As pálpebras doloridas e úmidas, nunca enxutas
Queimei teus fantasmas invocando o vento do deserto.
Eu deixo o tédio como deixo a vida
Sem túmulo nem cruz, nem um lugar ao certo.

Deixei-te de lado, mas nunca desisti;
Sufoco-o sem dó.
Agora tenho que partir
Dos túmulos ao pó.

"Ardentes gotas de licor dourado saindo dos olhos; esqueci-as no fumo e na leitura deste poema."

- talvez por egoísmo, talvez por medo.


E a sangue frio renegarei meus sonhos. Sei que vives, oh grande amor de minha vida, com outro alguém, mas o que dizerdes disso? Ainda ouso murmurar seu nome pelos cantos divinos da angústia eterna; por ti, nos sonhos, morrerei sorrindo. Em seus lábios pressenti um beijo e perderia minhas mãos em seus cabelos para que entre as nuvens do amor você pudesse dormir. Embebedou minh’alma enamorada com seu doce veneno e procuro a cura; estou intoxicado. Hoje não te maldigo, mas maldigo o meu amor que está me fazendo ver que eu tenho e sempre tive você, mas de outra forma. Coração paspalho que errou na dose, agora sofra-te pela ganância egoísta. Se, ao acaso, ter sua presença novamente aqui, dependes de deixar de sentir o que sinto, estou disposto a esquecer-te somente para ter-te de volta, aqui, comigo, ao meu lado, meu mal necessário...

“Que não seja o fim, mas que seja a linha que mostre que a união de vidas não depende somente desse sentimento que quero.”

- onde quer que esteja.


Se perto ou longe, dei um grito para você ouvir. Sei que ouviu, mas não respondeu. As nuvens em algodão ainda continuam aqui e lá... Sobre nós. O telefone tocou e não era você, eu desliguei. Pensei em te ligar, mas o que eu falaria? Uso a emoção, mas ensinou-me a dar grande valor à razão, então, o que fazer? Se nossos sonhos não foram realizados foi culpa das horas que caminharam rápido demais, num instante contínuo. O vento gritou seu som e balançou algumas árvores fazendo com que caíssem folhas no chão; agora é repleto de calor. Por um descuido estamos separados, mas quem disse que é o fim? Preciso permanecer de olhos abertos e seguir em frente; é o que faço. E se por algum acaso eu fechar os olhos, se querer, sei que verei você e serei dominado pela saudade; evito dormir. No mar, sinto a maresia tocando meu rosto como seu beijo e aproveito a desfrutá-lo para matar a saudade sua, mas não a mata! Se acha correto assim, brilhe!!! Cansei de procurar sentidos nos sentimentos, pois eles sempre me levam de volta. Estava esperando uma história diferente, um novo começo; mas perdi minha borracha e não consegui apagar muitas coisas. Não vou entregar a ninguém meu coração; e mesmo quebrado, pertence somente a você. E de repente cinco palavras estão gritando em minha cabeça:

“Estamos fazendo a coisa certa?”

- sóbrio.


Vi-me sem saída, sem rumo. Olhei na rua, ninguém passava, ninguém me olhava. Corri, mas não tinha um rumo. Fechei os olhos e a dor continuou; ajoelhei. Agoniado, pensei em várias coisas que passara em minha vida, como num “review” em minha mente. Tantas coisas me fizeram desistir... Mas não tinha mais volta. Sentei-me no chão, encostei-me na parede e escorei meus braços em meus joelhos; solucei. Comecei a chorar e de meus olhos escorriam sangue. Agoniando cada segundo de tristeza, vi que aquela era à hora. Tirei algo do meu bolso, um pouco pesado, carregado com uma única bala. O desespero trepidou, abri minha boca e coloquei-adentro. Senti o gosto amargo de ferrugem penetrando em minha garganta, rasgando cada músculo de minha língua, secando a saliva e grudando-a. Mas de minha boca nunca saiu injustiças, nem rudes palavras a magoar uma pessoa a ponto de puni-la por algo. Então retiro-a e levanto-a, apontando para minha cabeça. Arrumo meu dedo e quando vou puxar o gatilho, lembro-me que minha mente sim merecia ser perfurada, mas outro órgão deveria ser punido. Eu apenas queria entender o real motivo... E em meus pensamentos só gerava tragédia, foi quando vejo uma luz, mas não havia muita paz nela. Olhei minhas mãos e vi sangue e, ao ficar de pé, vi meu corpo jogado, com um tiro atravessado no peito.

“Agora eu estou limitado pela vida que você deixou para trás .”

- hoje eu acordei.


Com vontade de você. Com vontade do seu gosto amargo como o leite condensado. Com vontade de olhar em seus olhos e voar. Com vontade de sentir seu abraço e saber que ali eu estarei seguro. Com vontade de velejar em seus lábios proibidos e afogar-me em seus beijos. Com vontade de andar de mãos dadas em público para que todos saibam o que somos um do outro. Com vontade de te ignorar e lutar, dando razão ao que realmente é certo. Com vontade de sentir o cheiro do seu perfume adocicado, misturado com o café pela manhã. Com vontade de ouvir cada palavra dita como um som perturbador. Com vontade de sentar embaixo da árvore e ter como música de fundo carros acelerando e derrapando. Vontade de dormir segurando seu dedo. Com vontade de correr até onde está e permanecer até a vontade de você passar.

“E sei que algum dia tudo isso não será apenas vontade.”

- consumido pela condenação.


Às vezes é preciso mais do que palavras para preencher o vazio. Quando um vento sopra a favor, tudo pode se realizar com facilidade. Mas quando ele resolve opor-se torna um pouco mais complicado. Talvez, poderemos dizer que são dificuldades para fortalecer algo bom ou acabar com tudo de uma só vez. Em um caminho estreito, em meio à selva de sanguinários, sem nenhum fragmento de amor ou compaixão, te um rumo a escolher onde tudo poderá seguir em frente ou despencar. Um som de fundo de uma caixa de música faz-me lembrar de como era fácil a infância, onde não havia muita responsabilidade; apenas gozar de diversão. Cantei junto com a caixa de música e hoje ela está calada... Talvez jogada. Crescer é preciso. Mudar é necessário. Esquecer é opcional. Ignorar é uma escolha. E amar é amar.

“Deixarei a sua peça do quebra-cabeça incompleto.”

- o jeito que estou.


Sabe o que é você ser olhado e não se sentir apenas mais um pedaço de carne? Quando você é olhado com um olhar de amor ou de desejo fica certa marca guardada dentro de si, saca!? Algo que, mesmo que você não queira fica ali. Eu disse que temia olhar nos olhos... eu avisei. Evitei, dei meu máximo, mas fui infectado; e envenenado por você fico pensando onde estará e o que estará fazendo... E porque não está aqui comigo. Eu gostaria de levar-te de volta pra casa, vendo as luzes da rua acenderem e brilharem, iluminando nosso caminho. Dormir sendo zelado por um anjo, disposto a ficar ali, ao seu lado, esperando-te acordar, dure o tempo que durar protegendo-te dos pesadelos com um simples e único abraço. E ao acordar lembrar de que não fora um sonho, mas sim a realidade, àquela de que tento precisei. Não me entreguei e nem pretendo. Serei duro comigo mesmo e com meu coração. Banirei você da minha vida e da minha mente. Você não tem permissão para entrar... O espaço já está ocupado por outro alguém. Quero que saia; quero que fique. Não foi o melhor dia, mas você tornou-o melhor. Eu não queria te ver, agora não tenho tanta certeza disso... Por que hipnotizou-me? Quero que estrale seus dedos e desfaça sua hipnose e deixe-me continuar minha vida, como ela era a uns dias atrás. Suma! Vá e não volte. Quero interferir você de minha mente arrancando-te para nunca mais voltar...

“Só espero não estar atrasado.”

- sonhos destinados.


O tempo está correndo mais rápido que eu e queria estar aproveitando cada segundo com você. Estou mantendo todos meus desejos em segredo dentro de uma garrafa, mas não tenho coragem de te dizer novamente o que sinto. Gostaria que desfizesse suas malas e voltasse pra cama, pois a história de amor está mal contada... Vamos escrever um final apropriado, em vez de um horror clássico, para que todos possam esperar na fila pra ver a estreia; mas somente nós veremos.

“Feche seus olhos que eu vou te beijar novamente.”

- lágrimas do céu.


Doce como um veneno você rasteja em minhas veias. Amargo como poesia, triste como carnaval. Verdadeiro como a infância, doloroso como um estupro. Linda como eu sempre desejei... Ao menos uma vez eu me sinto vivo. Sei que perfeito eu nunca fui e por você eu até tentei, mas você me deixou sozinho e isso foi como abraçar a loucura. Você escuta minha voz. Como um espírito te observo, como um demônio eu te devoro e como um Deus eu te absolvo e te mantenho viva em meus pensamentos. Como um pagão eu atravesso o vale da sombra da morte e para sempre tento te esquecer, mas é inútil. Você não pode me ouvir, mas eu estou em seus sonhos; nos teus sonhos mais secretos. Sou eu quem te consome enquanto você dorme. Enterre-me no vazio da sua alma, enquanto eu caminho pelo vão estreito. Toque-me sem melodia nem acorde, sem poesia nem harmonia; simplesmente me faça sentir, me faça voltar, me faça parar e recomeçar e me faça entender quem realmente eu sou. Esqueça-me e me guarde... Encontre-me e me use dentro de ti. Quero ser a letra e o poeta. Quero ser a lua alheia e o mar. Quero ser a tristeza e a dor. Quero ser o desejo e o amor para onde quer que caminharmos.


“Como uma maçã pendurada em uma árvore, eu provei a mais madura e ainda tenho a semente.”

- eu morri novamente.


O sangue está escorrendo pelo meu corpo; uma hemorragia sem fim espirrando pelas paredes formando profundas poças de dor... Não se comova. Abri meus pulsos com as unhas para tocar algumas veias e as mordi, sentindo a angustia e meu último calor se desvairando. Desfalecendo, sinto o desespero e o prazer de me ver morrer lentamente. Meu corpo se enfraqueceu e não posso mais ficar em pé... Sinto a morte se aproximando... Ouço choros desesperados... Não voltaria atrás se pudesse. Não chorem por mim, pois nenhuma lágrima trar-me-á de volta. Não me acompanhem e podem pisotear minha sepultura; não preciso de rosas nem de luto; não quero uma missa ou um último beijo... Tanto faz, agora nada mais importa. Estou acorrentado, afogando de dores, acompanhado do silêncio e vendo minha carne queimar-se, explodindo-se em cinzas. Caí num poço escuro para sempre, congelado por dentro...


“Esse foi apenas um doce sacrifício”.

- de repente.


Você empetreficou a lua com um olhar sem vida, levou o Sol e cobriu-o com seu olhar desprovido de amor, tentando misturar o mar com o céu, o branco com o preto. Uniu forças para derrotar seu interior sentimental; era sentimental. Sofreu um passado assombroso, cheio de ilusões, talvez solitário, talvez sem amor... Agora causaste o mesmo. Elaborou uns planos marcados em papel guardanapo descartáveis e logo amassou-os e guardou em algum lugar, hoje perdido. Promessas já ditas que nunca seriam cumpridas continuam estáveis, apagadas na memória. Os caminhos se deslocaram, antes com um único rumo. Mas ambos não notamos a bifurcação à frente. Eu dei um passo e você se opôs a mim. Deixou de dizer que me ama, mas nunca disse que me odeia. Permanece em luta constante com seu coração sempre e sempre; não o dá um descanso. Escolher a solidão não é o certo nem o errado, mas seu momento é quem manda e sempre mandou. Uma lição quer aprender, “dar com a cara no muro”... Besteira! Espero você conseguir administrar seu próprio coração; ele pode parecer complicado....... quando se tem uma venda tapando sua visão. Talvez seja essa a lição que teve que aprender. Talvez nunca aprenderá... Apenas não diga nunca mais...

“E você tem que me ouvir...”

- retalhos da alma.


Tantas vozes... Muitos olhares atentos eram ensinamentos sobre a alma cheia. O amor... A dor... Abstraio-me, levanto vôo, já nada oiço, apenas o canto dos pássaros que me enchem de leveza, ouvindo o som da natureza. Chego a sentir a terra, o céu num movimento único. Sinto Deus em mim, ter a doce dádiva de entender as estrelas, a lua... Sentir o sol me aquecer vendo seu brilho resplandecendo em mim. Coração que tantas vezes sai de mim e voa para longe; Deixa-se levar pela brisa do final da tarde, muitas vezes despertada apenas pelo surgimento das estrelas; o pulsar da vida. Efêmero; Ainda bem que assim o é. Nunca sei aonde vou, mas sei onde quero chegar. O encantamento me impulsiona. Quero ser como sou. Assim foi que aprendi a amar e a deixar minh'alma falar. Hoje me lembrei de ti quando nem queria... O amor, a dor... Não acabam quando queremos.

"E deixo meu coração fugir de mim."

- repouso da alma.


Sentado sobre um pouco de grama, com as pernas dobradas, de pés nus dentro dum rio gélido, ora sentindo uma leve correnteza, ora de águas tranquilas; apoiando minhas mãos no chão, atrás, para eu poder ficar a vontade, sentindo a terra aquecida e pequenas plantas que ali resolveram morar. O som da cachoeira me faz sentir criança, com asas também, como se não estivesse realmente ali, mas lá, muito além; sentindo gotículas de água que batiam nas pedras e refletiam em meu rosto; maresia adocicada tocando meus lábios e unindo-se com o perfume das flores formando um único sentimento de paz. Pássaros brincando de voar, borboletas alimentando-se de pólen farto, sapos croachando em uma sintonia viril e peixes desafiando uns aos outros com o pulo mais alto. Eis é que temos tudo em nossa volta, coisas simples, intocáveis e esquecidas, coisas preciosas e às vezes nem percebemos seu verdadeiro valor, nem notamos...

“Quem pode dizer para onde vai à estrada, para onde o dia flui? Só o tempo...”

- apenas uma gota.


"Para conduzir uma sinfonia
Às vezes é preciso dar as costas para a platéia."

- tente se for capaz.


E em sua casa, segurando minhas mãos, sinto sua respiração aquecendo minha boca, suspirando de desejo, de olhos fechados, encostando, agora, seu nariz no meu nariz e o mundo para. Os lábios se abrem, com a boca transparente de qualquer santidade, gritando meu corpo, minha alma. Sem ambos nos moverem, sinto sua mão envolto de meu pescoço e a outra deslizando adentro de minhas calças, parecendo que aquela não fosse à primeira noite. Pouco tenso, mexo-me para os lados, sem sossego, para convencê-la a tirar suas mãos que ia em um rumo fixo, vagarosamente, pensando eu não perceber. Ao perceber meu desconforto lambe seus lábios e sopra-me um beijo. Meu corpo diz sim, meu coração diz não. Pedi para parar e ela continuou, sem ouvir de propósito. Desconfortado deixo-a sentada, esperando por um próximo corpo ideal aos seus ideais, murmurando rumo à porta “eu não te disse que eu não sou aqueles que se entrega por completo?”, batendo a porta; solitária.


“Não pense que o seu charme e o fato de seus braços estarem em volta do meu pescoço vai te trazer pra dentro de minhas calças.”

- três desejos.

E esfregando a lâmpada ouço um estouro no horizonte e sai, num impulso, um gênio dela. Ele conceder-me-ia 3 desejos quais querem, era só pensar, pensar e desejar. Dinheiro, fama, poder... é só você escolher que eu realizo. E sem pensar muito, foram saindo esses sinceros e profundos sons de meus lábios: Poder voar, ter força pra vencer qualquer dificuldade da minha vida com um sorriso e um amor eterno. O gênio, meio desconcertado por não ser todos os dias que ouvira esse tipo de desejo respondeu: Posso te dar assas para sobrevoar os limites que puder imaginar; flutuar e pairar sobre o céu; abraçar as nuvens, beijar as estrelas, voar entre os pássaros presenciar estrelas cadentes bem próximo e até acompanhá-las, tocar a Lua. Daria-te qualquer força superior para que você mesmo possa vencer suas dificuldades fazendo com que você cresça andando passo a passo, sempre com um sorriso. Mas o último desejo você mesmo terá que realizar... Não posso forçar e nem colocar alguém no seu caminho, pois ela poderá te amar, mas você não; ela poderá sentir que você é tudo pra ela, mas você não; Ela poderá entregar a vida toda dela pra você, mas você não; Ela precisará, em partes, de você pra sobreviver, mas você não. Não posso fazer sua felicidade para fazer outra infeliz. Não posso colocá-la em seu rumo para você seguir outro caminho. Esse seu desejo terei que sucumbir e você mesmo terá que conquistar. Darei-te uma flecha e poderá atirar em quem quiser. Mas escolha bem, pois será uma única flecha e não terá mais volta. Não garanto que funcione pra sempre, mas pode ser que dure mais do que imagine e mais do que parece ser.


“Tome cuidado com seus desejos profundos, pois, com fé, eles poderão tornar-se realidade.”

- apetite.


E com seus belos cabelos loiros caídos no ombro, deslizando seus peitos nus, cobrindo sua santidade, expondo seus desejos inconfundíveis. Pele de carmim quente, pingando suor, contornando suas costas com curvas inerentes de sedução, revelando a ansiedade e o receio. Lábios molhados com sua saliva onde a língua passara recentemente ali, deslumbrando seu jeitinho e saboreando todo gosto ali deixado por outra boca. Suas mãos gélidas com medo de entregar-se, ora tremendo, ora mexendo-a, ou para aquecê-la ou para acalmar-se. Um rápido arrepio que vem do pescoço, beijado ou mordido, descendo para a espinha, como uma corrente de energia inércia. E por indolência deita-se na cama, de suspiros ofegantes, murmura baixinho sua vontade invisível e incontentável, pressionando sua barriga embaixo da minha com seus pés apoderados nas minhas pernas, gemendo em meus ouvidos e soluçando seu novo poder...


“Com tuas caricias minha alma fica nua.”

- o último encontro.


Muita coisa pode acontecer em um ano, sabe?! Sempre fomos amigos, talvez até os melhores. Andávamos juntos sempre que podíamos ou não; mas dávamos um jeito. Sonhar e esperar não bastou e precisei ir até seu ser, para encontrar-te e desperdiçar um ou até mesmo dois finais de semana, mesmo eu não podendo, só para te contemplar, só para te fazer sentir melhor, só para te completar, só para realizar-me. Um dia mais próximo, outro mais distante, esperando apenas as obrigações terminarem para reencontrar-te novamente, com o sorriso no rosto e pensamentos voltados para ti. Mas o tempo foi problema, os pensamentos uma obrigação e, infelizmente, as chamas de uma amizade que, poderia ser mais eterna que o próprio universo, foram se apagando. Hoje eu estou aqui e você aí. Antes éramos “nós”, hoje somos “eu e você”. Apenas uma fase, apenas um momento... não sei. Conto com o tempo para que ele traga respostas possíveis já que ele é um dos donos da verdade; e da forma que ele revelar, eu aceitarei e calarei.


“Talvez, algum dia, farei com que tudo fique bem, mas não agora..."
PS.: Feliz um ano!

- tudo é relativo.


Abrangendo o sistema do circuito da vida, na qual nos torna seres humanos desprovido de qualquer inteligência emocional, as coisas são realmente incalculáveis e muitas das vezes imprescindíveis. Promovendo um balanço onde a razão tem mais peso que a emoção, ou seja, devemos tomar consciência de nossas escolhas para que a emoção não venha a calhar, descobrimos que deixamos de lado a razão e utilizamos a emoção pra tudo, até percebermos que estamos completamente manipulados por ela e acabamos nos ferindo. Vos julgo, vos condeno, vos culpo. E com a primeira pedra atirada, enquanto está a caminho não há dor, não há sofrimento, e quando ela chega, chega também à dor e a angústia e jogamo-la de lado e seguimos em frente. Olhar pra trás pra quê? Ela já bateu, arrebentou em duas, fez-vos hematomas... Agora tens que caminhar em frente e procurar outros meios para curar-se; e se não houver meios (algo comum às vezes), deixem que a brisa do vento cicatrize e costure pontos; amanhã sentirá dor, muitas dores... E, depois de amanhã já se amenizada, comprometerás em perdoar a pedra por ela não ter tido culpa de ser jogada; foi enganada.


“o caminho da felicidade é longo e doloroso, mas eu escolhi pegar um atalho.”

- jurei pó as lágrimas.



- agora que está tudo dito e feito. Não consigo acreditar que você foi a única a me construir e depois me destruir como uma casa velha e abandonada. O que você disse quando partiu me deixou com frio e sem fôlego. Eu caí tão fundo, foi bem intenso. Acho que deixei você ter o que eu tinha de melhor... Bem, nunca pensei que chegaríamos a esse ponto. Deveria ter fugido há muito, muito tempo atrás. Nunca pensei que duvidaria de você. Estou passando todos esses dias colocando meu coração de volta no lugar. Você destruiu essas paredes, arrastou as memórias corredor a fora, pegou suas coisas e partiu... Não havia nada que eu poderia dizer. Apenas aprendi que para cada carta de amor escrita, há outra queimando. Como será que se sente por ser aquela que enfia e vira a faca dentro de mim? Eu sei que há todos os tipos de sapatos debaixo de sua cama... Agora eu durmo com minhas botas, mas você ainda perambula pela minha cabeça e algo me diz, agora, que estou no fim da linha. Eu devo dizer a verdade para você... 50 mil lágrimas eu chorei, gritando, iludindo e sangrando por você e mesmo assim você não quis me ouvir. Talvez eu acorde de uma vez sem estar atormentado por você, derrotado, pensando que já havia chegado ao fundo, manchado e confuso de verdades e mentiras. Mas eu não sei mais o que é verdade ou o que não é... Não posso mais confiar em mim.

“E se você tiver que ir, eu desejo que você vá logo.”

- déjà vu.


Como se não se opusesse ao acaso você me surpreendeu. Foi diferente, foi especial... É o medo e o desejo andando juntos. O grito e o silêncio. Quando estou perto de você, meus limites se tornam liberdade; meus sonhos, realidade. Mas, pra que sonhar se acordado posso ter você? Ahh é... Não estamos muito bem ainda. Estamos em um lugar secreto onde não podemos ouvir a multidão. Você pega em minhas mãos e eu sinto a plena satisfação de te ter ao meu lado. Antes eu tinha medo de me perder, mas me encontrei ao seu lado. Eu tinha medo de não pertencer a ninguém, mas hoje sei que nós pertencemos um ao outro; você apenas se esqueceu, mas o tempo te dirá novamente.


“Mas não importa o quanto longe ou onde você possa estar. Eu apenas fecho meus olhos e você está nos meus sonhos; e lá você estará até nos encontrarmos.”

- fugaz.


foge com meu coração
foge com minha esperança
foge com meu amor.


"a canção que ninguém canta."

- além da vida.


Consideremos o fato que, O Ser que me deste a vida é meu pai, é pai de todos. Com sua graça e glória estendeu a mão sobre mundo permitindo que eu viesse à vida. Esteve sempre comigo; enquanto comia, enquanto dormia, enquanto sofria. Sempre de mãos dadas às minhas, não deixando se quer um segundo de soltá-las. Hoje, percebo que Ele é muito mais que meu pai... é minha vida, é minha luz, é meu sangue! Pai, agradeço pelo Senhor nunca ter me desamparado, até mesmo nos momentos em que a fé não foi minha melhor arma. Obrigado por estar ao lado de minha cama, fazendo com que eu sinta paz para sonhar e obrigado por ter me dado um pai, um herói; um super-herói.


“Obrigado meu Deus.”

- imprudente.


Certo dia me perguntaram: "Qual seu maior inimigo?" Sem exitar, mas com uma pausa de certeza, respondi com desabafo: “o relógio”. Ele atrasa quando preciso acelerar e adianta quando preciso parar. Não toma qualquer fôlego e é o melhor amigo do tempo; odeio-o também. Os ponteiros girando freneticamente ao redor das horas faz com que eu me sinta ora ultrapassado, ora retrógrado. Mas o relógio não marca aquela hora... aquela que talvez nunca chegará, ou aquela que está por vir ou a que já chegou.

"Todo o tempo do mundo já não basta mais se o segundo que eu quero não chegar."

- preso a um momento.


Como se todos que eu conhecesse estivessem terminando, sem motivos para amar. Tem alguém, ainda, o poder de se apaixonar? Sempre via em seus olhos o silêncio das palavras que não disseste, com medo ou com dúvidas; Expressando o que sentia com eles entreabertos, pensando eu não estar atento. Porém eu lia todos os simples movimentos que eles faziam. Adorava beijá-los para fazer-te perderes os sentidos e deixar-te sem graça. Fechava-os com minhas mãos e beijava sua boca... Nunca dei garantia que seria para sempre, mesmo eu querendo isso. Eu ainda sinto-te como estivesses ao meu lado, estando preso a um momento que não foi feito para durar. Não consigo alcançar seu coração...


“Mas eu ainda te preciso”

- pensei, só pensei.


Estou vendo as coisas passarem bem rápido lá fora. Como se em vez de “play” estivesse apertado o “avançar”. Sentado, estou vendo os carros e pessoas andando com seus cachorros e eu indo cada vez mais longe delas... Afastando-me até meus olhos deixarem de enxergá-los. O céu está alaranjado, com o Sol se pondo no horizonte e já vejo algumas estrelas. O livro que eu lia se fechou em meu colo com o movimento brusco que deu. Os minutos aqui dentro são horas e lá fora são segundos. Já é noite e meus olhos parecem querer fechar. Ouço algumas vozes por trás da música que ouço em minha mente, cantando sem eu mandar, pois tenho fones no ouvido, mas não consigo sentir que som toca. Sem querer mexer do lugar em que estou, deixo meus olhos entreabertos só para ter noção de onde estaria, mas mesmo assim algumas luzes me dá uma cegueira momentânea, ora do pedágio, ora dos carros, nos quais são muitos. Estou sentado na última poltrona, está um pouco frio, mas mesmo vestido com uma blusa parece não ser o suficiente para me aquecer. Olho para o lado e lembrei que tu estiveste aqui, pois o banco e minha mão, no apoio, estavam aquecidos, mas o resto do corpo não. Percebi que tocou nossa música (só não me lembro bem o nome dela) e eu coloquei um fone em seu ouvido direito, e acompanhei-a em seu ouvido esquerdo enquanto tu dormias; Tu não acordaste. Minha mão estava entrelaçada a sua, assim, podendo sentir todo seu calor. E com o defeito de nunca saciar-me com pouco, quis abraçar-te e te dar um beijo, mas iria te acordar, então deixei pra lá. Senti-te entrando em sono profundo, onde suspirava em um sonho que ia além de onde estávamos. Não havia presente maior que sua presença e te ver dormir, todo indefeso. Dormindo, você encosta sua cabeça em meu ombro e se aconchega, me abraçando, tremendo levemente de frio, onde pude sentir seu perfume, que guardo até hoje. Queria que o mundo parasse naquele instante, onde o eterno não seria suficiente.
Esfreguei meu olho com uma de minhas mãos para ver se estava em mais um de meus sonhos frequêntes e dei de cara com o motorista vindo me chamar, acordado por ter chegado ao meu destino final, com uma de minhas mãos e a poltrona do meu lado quentes e minha mochila posta no banco ao meu lado, sentindo seu perfume...


"Talvez não fosse um sonho..."

- odisséia despetalada.


A lira cantou para atrair os pássaros
Deveras eles ouvirem
Suas assas bateram
Para nunca mais voltar.

Cantou para o Sol
Cantou para a Lua
Ele se afugentou nela
Juntos, o céu perambularam.

Enfraqueceu-se sua canção
Por não haver recíproco
Triste deixou de cantar.

Canção do exílio de um sonho maior
Sintética cantou sua melhor coletânea
Hoje, solitária, canta alto seu hino aos que sonham.

- eu vou, dispersado.




E antes de levantar da cama pensei em várias coisas que ocorreram comigo, sabe?! Tipo aquelas imagens rápidas que sempre passa em filmes... Algumas coisas não bastaram para eu ficar bem o dia todo, fazendo eu desistir naquela hora de sair. Mas outras me fizeram levantar e perceber que estava atrasado. Eu queria comprar a passagem errada só para não passar vontade, porque já faz algum tempo... Porém minha dignidade estava em jogo e não poderia mudar o pequeno rumo que tracei por essa semana. E quando dei por mim estava sonhando novamente e não queria acordar, mas fui despertado pelo relógio, traiçoeiro. Eis que corri tomar um banho, arrumei o cabelo, deixando a meu gosto e propaguei-me ligeiramente ao guichê e fui guiado pelo coração e não resisti... Comprei a passagem errada, mas não saberia como te contar, nem como reagiria. Então fechei meus olhos, rasguei-a, peguei minha mala, fui para o banheiro, lavei meu rosto, dei um sorriso de esperança e corri rumo à Sorocaba. Foi tudo bom, sabe?! Ampliei meu circuito de amizade e você, Vanessa, vai deixar saudades quando, em seu serviço lhe despeço e saio sem olhar para trás. Mas faltava algo... Tentei visitar eles; todos eles. Porém alguns eu não encontrei, onde ficarei devendo visitas, beijos e pensamentos. De repente fui guiado à casa de um anjo. Esse anjo não tem assas, nem auréola, mas me guia sempre, sabe?! Cheguei a sua casa e lá estava... A melhor professora que a vida poderia impor. Foram tantos pensamentos quando a vi que não sabia se estava ali ao certo. E com aquele abraço de mãe, deixei-a para poder continuar, com um certo alívio de estar perfeitamente saudável e mais linda que nunca, dizendo “te amo Glynis”.E pensando em retornar pra casa, em sua casa toquei e você estava lá. Eu presenciando seu ser, Carla, senti a amizade se fortificando, nossas almas se juntando um pouco mais, nossos pensamentos nos guiando e como uma corrente em prantos te abracei e senti nosso futuro, minha alma gêmea. Voltando para minha casa, derramei mais algumas lágrimas, sabendo que a distância se quer desfez um milímetro da nossa preciosa amizade. Foi quando comecei a contar nos dedos o dia em que retornaria a você novamente.

"Há coisas que a distância não separa"

- e não muda.



Reflito
Relembro
Padeço.

Desanimo
Esqueço
Mas não esqueço.

Construo
Destruo
Reconstruo
E não destruo mais.

Acostumo
Altero
Insisto
E relembro.

- porque teve um risco.


Não aceitaria ninguém tratar-me da maneira que quisesse, mesmo sendo seu próprio modo de ser. Não permitiria ninguém dizer infames palavras, ditas sem pensar só para sentir-se melhor ou superior. Não necessitaria dos abraços nem dos beijos de ninguém, cheios de ternura e intensidade. Não resistiria e não pensaria em ninguém ao chegar à noite, iluminada pela lua plena, coberta às vezes por nuvens em formas de flocos cinzas, que ora pingava lágrimas de solidão, ora estremecia e se espalhava pelo ar formando uma brisa suave e gélida, confundindo-se com o frio da noite. Não retomaria ao acaso de ser julgado insistente pensando em um futuro prometedor. Não ouviria mais àquela música tocada a cada instante em que pensava em ti (o tempo todo), tornando-se, com o tempo, um verso simples. Não olharia para trás para lembrar o que fui e o que tu foste, mesmo que tenhas sido forçado a ser quem você não era só para tentar me fazer feliz ou me sentir bem. Não tentarei buscar-te de novo ou esperar-te só porque pensas que tens tudo de mim. Não esforçaria para ninguém ser alguma coisa de importante pra mim, com qual apenas um olhar marcaria minha vida toda e com outro olhar me paralisaria, me deixando hipnotizado. Não acostumaria com seu cheiro penetrando meus sentidos, confundindo-os com a realidade. Não aceitaria ninguém roubar minha dignidade em troca da libido recíproca só para se satisfazer orgulhosamente. Não passaria noites acordados por não conseguir esquecer-te. Ninguém deitaria do meu lado, antes de dormir e recitaria uma música... Àquele trecho que me fazia bem, ganhar meu dia, mas nem tanto pelas palavras, mas por ser àquela a última voz a ouvir para poder afundar-me num sonho perfeito, acordado ao seu lado, abraçado e sentindo sua mão suavizando na minha. Não queria lembrar que o brilho do Sol parecia com seu olhar, onde o brilho dele não era tão reluzente e tão penetrante quanto o seu. E não questionaria qualquer outra pessoa a entrar no meu coração, ninguém mais, pois não aceitaria ser destratado pelos mesmos antigos motivos. Não... eu não cederia nada disso a ninguém.

Mas você seria a minha única exceção.

- são aqueles.


Nas últimas vezes que nós nos falamos. Nos últimos dias e meses, horas e em todos esses anos, acabei não me lembrando de dizer o significado da existência de vocês. Foram e sempre serão indispensáveis. Esqueci de dizer... Ainda que, distante ou perto, que o papel de vocês na minha vida foi demais importante. Esqueci de dizer, no último encontro, que não importa se nunca vamos nos ver mais... Vocês já me fizeram crescer e marcaram infinitamente minha vida. Esqueci de dizer; deveria ter falado! Vocês me ensinaram a viver mesmo quando cansado. E quando eu chorei uns secaram-nas e outros choraram comigo, ou simplesmente me fizeram companhia mesmo longe de olhos fechados e também perto de mãos dadas. Esqueci de dizer... Muitas pessoas cruzaram meu caminho e nenhuma delas com flor ou espinho, ruins ou boas, apenas algumas delas permitiram-se me conhecer de modo intenso. Agora reflito sobre isso, eu penso muito mais que amigo que “pude ou não ser”. Queria poder ter dito devagar que foi mais que um afeto, são estigmas em minha alma, pois vocês marcaram-na de uma forma tão intensa que seria preciso mais do que o tempo para curar. Então, esperando eu, não ser tarde demais, digo a todos vocês: “Uma coisa que aprendi com a vida é que nada é para sempre. Desde o cair de uma folha até o pôr do sol... nada é para sempre. Cada um de vocês foram importantes na minha vida e gostaria que soubessem. Só sei que ao passar dos dias, fui cada vez mais me apegando a vocês de uma forma inexplicável. Mas me apeguei tanto que acabaram fazendo parte do meu coração. E mesmo que haja uma possível distância entre nós , vocês nunca sairão do meu pensamento. Antes de dormir, quando acordo, quando almoço, quando eu ando... Tudo o que faço, sempre me lembrarei de vocês! Foi um prazer compartilhar e estar compartilhando cada pedacinho, cada instante da minha vida com vocês.”
Feliz dia dos amigos.

- deixa o tempo.


Sentado, olhando pela janela as pessoas passarem, tornou-se monótono quando você não apareceu. Resolvi fechar a janela e puxar a cortina e não deixar os raios de Sol entrarem por hoje. O seu silêncio não me dá paz, sua ausência não me conforta e deixar de pensar em mim me assusta. Tentei gritar para você, mas você não me ouviu, ouvindo um som mais alto que minha voz. Não sei bem... Gostaria de gravar sua voz, para poder ouví-la toda vez que eu precisar, quando a saudade chegar. Um sussurro, sua respiração, batidas do seu coração, ou até o som do seu olhar. Gostaria que enterrasse um abraço em mim, disposto a ficar ali eternamente sentindo seu calor, que, nem a brisa mais fria do outono poderia desaquecê-lo. Mas o fogo está enfraquecido e na maioria dos dias (difícil de dizer isso) você parece estar se afastando cada vez mais. Quando disse que eu jogaria minhas cinzas ao mar adentro, não tive coragem e guardei-a naquele mesmo lugar. Eu sei que já passou a hora de eu seguir em frente, mas a luz do pânico me cega toda vez. Pânico? Talvez ausência ou até mesmo abraços... quem sabe voar, ou respirar, sentir, flutuar, caminhar, trilhar, pairar, tornar, formar(...). Mas poder contar com você tornou-se uma nova conquista a ser realizada, onde pensei ser e você mesmo disse que dessa forma seria mais fácil, mas as dificuldades entre dois corpos continuam as mesmas. Você pode me ajudar ou vai correr pra mais longe? Vai cantar ou deixar o silêncio? Pedi a Deus que nós não tivéssemos um fim, mas, talvez faltara-me fé ou talvez fiz o pedido errado, pois agora estou perdendo quase tudo de você. E, antes de dormir, quase rabisco um desenho que fizera pra mim, mas ao invés disso, pintei os corações de vermelho, não porque ainda existe esperanças, mas porque algum dia existiu. Entretanto, cada passo que eu dou torna-se um erro pra você, tendo em vista que sigo as pegadas que caminhei algum dia; e não sigo-as para relembrar alguma coisa, sigo-as porque eu devo trilhar meu caminho da maneira que eu acho certo, mesmo sendo irracional. Prosseguir e deixar o que passou pra lá é o mesmo que dizer que sou capaz de esquecer; confesso que não. Então eu compus uma linda canção (faço errado em escrever ao invés de falar, mas quem se importa?) onde “palavras de minha voz calada diz tudo” e “eu prometo que não estou tentando dificultar sua vida” são o tema dela, só que eu vim pela rua cantando e não escrevi-a. Mas me recordo de uma frase que dizia: “eu não vou me render, estou apaixonado e sempre estarei, mesmo te dando muita destruição e confusão e se não conseguir falar comigo novamente eu te entendo e estou certo que isso trará algum sentido pra você, onde eu ficarei calado e você pensará que eu parti pra outra, mas estará cometendo um erro.”

"Mas meus sonhos não são tão vazios como minha consciência os faz parecer e ninguém sabe como é sentir esses sentimentos como eu sinto e te culpo! Ninguém morde mais forte que sua raiva; ninguém pode mostrar seus pensamentos; ninguém para essa aflição, além de você"

- evidências.


E com o passar dos dias, mas não dos momentos, meticulosos fatos se desfazem no ar como uma poeira em cima da televisão, ali esquecida, e que de vez em quando é arrastada, lembrada e retirada, porque acham que ali não é o lugar dela. E mesmo que eu tente me esconder dentro de uma casca, como uma tartaruga faz para proteger-se dos medos e dos perigos, há algumas coisas em nossas vidas que não tem como simplesmente esconder-se; mesmo que seja algo muito perigoso ou impossível de esquecer. Nem que eu tente lutar contra, às vezes penso não conseguir, como se uma fortaleza fora construída envolto de algo que pertence a mim, que mesmo que alguém tente perfurar, torna-se impossível de penetrar... qualquer som que seja, ou um brilho, ou um sinal. Como se algo estivesse se perdido dentro de mim, corroendo-me lentamente, como um ácido impetuoso, onde derramo palavras sólidas e pingos de desespero; amargas ou também um deprimente silêncio perdido no ar, que fora levado pra longe, em um lugar onde não há felicidade, nem tristeza, nem saúde, nem dor; apenas esquecido. E eu, cercado de pessoas, posso ouvir seus pensamentos mais profundos e secretos, apenas com o toque de um olhar, onde penetro seus olhos, percorro o caminho, sorrateiramente, até o lugar onde são guardados os sonhos e pouco a pouco vou sugando e puxando cada parte de qualquer imaginação ali existente; penso até que os manipulo ás vezes; mas ainda não me convenci. Fecho meus olhos e agradeço a Deus por certas coisas existirem ou terem existido, ou até mesmo pensado ser deixado de lado, mas é mais certo, preciso e importante como nunca fora; mesmo que não expresse. Lembro-me que em cima da cômoda, atrás do perfume, ao lado da sua foto que guardo, há um texto rabiscado... não para esquecer, pois quem quer esquecer rasga e joga fora, não simplesmente rabisca e deixa ali; apenas está rabiscado para que não eu possa ler todo momento e antes de dormir, e depois que acordar, e até mesmo antes de pensar em pensar... onde as palavras “Pareço bobo e confesso que devo estar, mas é assim que me sinto contigo... O que me resta é olhar o relógio, contar os minutos e esperar que volte” tornam-se possíveis de serem lidas, mas impossíveis de serem aproveitadas ou até mesmo de terem de volta seu verdadeiro e único sentido, onde apenas tento entender, falhando, e sem medo de para sempre assim ficar pois, o que estava dentro de mim fora dado à você e mesmo que me tenha devolvido, a socos, a força, contra sua vontade interior (acreditando estar certo agora) metade do meu se encaixou no seu e sua outra metade arrancou de mim, tendo eu meio e você um e meio, para dar sua metade a outro alguém que passará o resto da vida ao seu lado; te pertencendo, te amando e você retribuindo... eu ainda me lembro...

“E se você lembrar que nós pertencemos um ao outro, nunca se sinta envergonhado... chame meu nome. Mas se a gente não der certo, eu não estou nem aí, ainda vou poder sonhar com você”