domingo, 29 de agosto de 2010

- apenas uma gota.


"Para conduzir uma sinfonia
Às vezes é preciso dar as costas para a platéia."

sábado, 28 de agosto de 2010

- tente se for capaz.


E em sua casa, segurando minhas mãos, sinto sua respiração aquecendo minha boca, suspirando de desejo, de olhos fechados, encostando, agora, seu nariz no meu nariz e o mundo para. Os lábios se abrem, com a boca transparente de qualquer santidade, gritando meu corpo, minha alma. Sem ambos nos moverem, sinto sua mão envolto de meu pescoço e a outra deslizando adentro de minhas calças, parecendo que aquela não fosse à primeira noite. Pouco tenso, mexo-me para os lados, sem sossego, para convencê-la a tirar suas mãos que ia em um rumo fixo, vagarosamente, pensando eu não perceber. Ao perceber meu desconforto lambe seus lábios e sopra-me um beijo. Meu corpo diz sim, meu coração diz não. Pedi para parar e ela continuou, sem ouvir de propósito. Desconfortado deixo-a sentada, esperando por um próximo corpo ideal aos seus ideais, murmurando rumo à porta “eu não te disse que eu não sou aqueles que se entrega por completo?”, batendo a porta; solitária.


“Não pense que o seu charme e o fato de seus braços estarem em volta do meu pescoço vai te trazer pra dentro de minhas calças.”

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

- três desejos.

E esfregando a lâmpada ouço um estouro no horizonte e sai, num impulso, um gênio dela. Ele conceder-me-ia 3 desejos quais querem, era só pensar, pensar e desejar. Dinheiro, fama, poder... é só você escolher que eu realizo. E sem pensar muito, foram saindo esses sinceros e profundos sons de meus lábios: Poder voar, ter força pra vencer qualquer dificuldade da minha vida com um sorriso e um amor eterno. O gênio, meio desconcertado por não ser todos os dias que ouvira esse tipo de desejo respondeu: Posso te dar assas para sobrevoar os limites que puder imaginar; flutuar e pairar sobre o céu; abraçar as nuvens, beijar as estrelas, voar entre os pássaros presenciar estrelas cadentes bem próximo e até acompanhá-las, tocar a Lua. Daria-te qualquer força superior para que você mesmo possa vencer suas dificuldades fazendo com que você cresça andando passo a passo, sempre com um sorriso. Mas o último desejo você mesmo terá que realizar... Não posso forçar e nem colocar alguém no seu caminho, pois ela poderá te amar, mas você não; ela poderá sentir que você é tudo pra ela, mas você não; Ela poderá entregar a vida toda dela pra você, mas você não; Ela precisará, em partes, de você pra sobreviver, mas você não. Não posso fazer sua felicidade para fazer outra infeliz. Não posso colocá-la em seu rumo para você seguir outro caminho. Esse seu desejo terei que sucumbir e você mesmo terá que conquistar. Darei-te uma flecha e poderá atirar em quem quiser. Mas escolha bem, pois será uma única flecha e não terá mais volta. Não garanto que funcione pra sempre, mas pode ser que dure mais do que imagine e mais do que parece ser.


“Tome cuidado com seus desejos profundos, pois, com fé, eles poderão tornar-se realidade.”

domingo, 22 de agosto de 2010

- apetite.


E com seus belos cabelos loiros caídos no ombro, deslizando seus peitos nus, cobrindo sua santidade, expondo seus desejos inconfundíveis. Pele de carmim quente, pingando suor, contornando suas costas com curvas inerentes de sedução, revelando a ansiedade e o receio. Lábios molhados com sua saliva onde a língua passara recentemente ali, deslumbrando seu jeitinho e saboreando todo gosto ali deixado por outra boca. Suas mãos gélidas com medo de entregar-se, ora tremendo, ora mexendo-a, ou para aquecê-la ou para acalmar-se. Um rápido arrepio que vem do pescoço, beijado ou mordido, descendo para a espinha, como uma corrente de energia inércia. E por indolência deita-se na cama, de suspiros ofegantes, murmura baixinho sua vontade invisível e incontentável, pressionando sua barriga embaixo da minha com seus pés apoderados nas minhas pernas, gemendo em meus ouvidos e soluçando seu novo poder...


“Com tuas caricias minha alma fica nua.”

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

- o último encontro.


Muita coisa pode acontecer em um ano, sabe?! Sempre fomos amigos, talvez até os melhores. Andávamos juntos sempre que podíamos ou não; mas dávamos um jeito. Sonhar e esperar não bastou e precisei ir até seu ser, para encontrar-te e desperdiçar um ou até mesmo dois finais de semana, mesmo eu não podendo, só para te contemplar, só para te fazer sentir melhor, só para te completar, só para realizar-me. Um dia mais próximo, outro mais distante, esperando apenas as obrigações terminarem para reencontrar-te novamente, com o sorriso no rosto e pensamentos voltados para ti. Mas o tempo foi problema, os pensamentos uma obrigação e, infelizmente, as chamas de uma amizade que, poderia ser mais eterna que o próprio universo, foram se apagando. Hoje eu estou aqui e você aí. Antes éramos “nós”, hoje somos “eu e você”. Apenas uma fase, apenas um momento... não sei. Conto com o tempo para que ele traga respostas possíveis já que ele é um dos donos da verdade; e da forma que ele revelar, eu aceitarei e calarei.


“Talvez, algum dia, farei com que tudo fique bem, mas não agora..."
PS.: Feliz um ano!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

- tudo é relativo.


Abrangendo o sistema do circuito da vida, na qual nos torna seres humanos desprovido de qualquer inteligência emocional, as coisas são realmente incalculáveis e muitas das vezes imprescindíveis. Promovendo um balanço onde a razão tem mais peso que a emoção, ou seja, devemos tomar consciência de nossas escolhas para que a emoção não venha a calhar, descobrimos que deixamos de lado a razão e utilizamos a emoção pra tudo, até percebermos que estamos completamente manipulados por ela e acabamos nos ferindo. Vos julgo, vos condeno, vos culpo. E com a primeira pedra atirada, enquanto está a caminho não há dor, não há sofrimento, e quando ela chega, chega também à dor e a angústia e jogamo-la de lado e seguimos em frente. Olhar pra trás pra quê? Ela já bateu, arrebentou em duas, fez-vos hematomas... Agora tens que caminhar em frente e procurar outros meios para curar-se; e se não houver meios (algo comum às vezes), deixem que a brisa do vento cicatrize e costure pontos; amanhã sentirá dor, muitas dores... E, depois de amanhã já se amenizada, comprometerás em perdoar a pedra por ela não ter tido culpa de ser jogada; foi enganada.


“o caminho da felicidade é longo e doloroso, mas eu escolhi pegar um atalho.”

domingo, 15 de agosto de 2010

- jurei pó as lágrimas.



- agora que está tudo dito e feito. Não consigo acreditar que você foi a única a me construir e depois me destruir como uma casa velha e abandonada. O que você disse quando partiu me deixou com frio e sem fôlego. Eu caí tão fundo, foi bem intenso. Acho que deixei você ter o que eu tinha de melhor... Bem, nunca pensei que chegaríamos a esse ponto. Deveria ter fugido há muito, muito tempo atrás. Nunca pensei que duvidaria de você. Estou passando todos esses dias colocando meu coração de volta no lugar. Você destruiu essas paredes, arrastou as memórias corredor a fora, pegou suas coisas e partiu... Não havia nada que eu poderia dizer. Apenas aprendi que para cada carta de amor escrita, há outra queimando. Como será que se sente por ser aquela que enfia e vira a faca dentro de mim? Eu sei que há todos os tipos de sapatos debaixo de sua cama... Agora eu durmo com minhas botas, mas você ainda perambula pela minha cabeça e algo me diz, agora, que estou no fim da linha. Eu devo dizer a verdade para você... 50 mil lágrimas eu chorei, gritando, iludindo e sangrando por você e mesmo assim você não quis me ouvir. Talvez eu acorde de uma vez sem estar atormentado por você, derrotado, pensando que já havia chegado ao fundo, manchado e confuso de verdades e mentiras. Mas eu não sei mais o que é verdade ou o que não é... Não posso mais confiar em mim.

“E se você tiver que ir, eu desejo que você vá logo.”

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

- déjà vu.


Como se não se opusesse ao acaso você me surpreendeu. Foi diferente, foi especial... É o medo e o desejo andando juntos. O grito e o silêncio. Quando estou perto de você, meus limites se tornam liberdade; meus sonhos, realidade. Mas, pra que sonhar se acordado posso ter você? Ahh é... Não estamos muito bem ainda. Estamos em um lugar secreto onde não podemos ouvir a multidão. Você pega em minhas mãos e eu sinto a plena satisfação de te ter ao meu lado. Antes eu tinha medo de me perder, mas me encontrei ao seu lado. Eu tinha medo de não pertencer a ninguém, mas hoje sei que nós pertencemos um ao outro; você apenas se esqueceu, mas o tempo te dirá novamente.


“Mas não importa o quanto longe ou onde você possa estar. Eu apenas fecho meus olhos e você está nos meus sonhos; e lá você estará até nos encontrarmos.”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

- fugaz.


foge com meu coração
foge com minha esperança
foge com meu amor.


"a canção que ninguém canta."

domingo, 8 de agosto de 2010

- além da vida.


Consideremos o fato que, O Ser que me deste a vida é meu pai, é pai de todos. Com sua graça e glória estendeu a mão sobre mundo permitindo que eu viesse à vida. Esteve sempre comigo; enquanto comia, enquanto dormia, enquanto sofria. Sempre de mãos dadas às minhas, não deixando se quer um segundo de soltá-las. Hoje, percebo que Ele é muito mais que meu pai... é minha vida, é minha luz, é meu sangue! Pai, agradeço pelo Senhor nunca ter me desamparado, até mesmo nos momentos em que a fé não foi minha melhor arma. Obrigado por estar ao lado de minha cama, fazendo com que eu sinta paz para sonhar e obrigado por ter me dado um pai, um herói; um super-herói.


“Obrigado meu Deus.”

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

- imprudente.


Certo dia me perguntaram: "Qual seu maior inimigo?" Sem exitar, mas com uma pausa de certeza, respondi com desabafo: “o relógio”. Ele atrasa quando preciso acelerar e adianta quando preciso parar. Não toma qualquer fôlego e é o melhor amigo do tempo; odeio-o também. Os ponteiros girando freneticamente ao redor das horas faz com que eu me sinta ora ultrapassado, ora retrógrado. Mas o relógio não marca aquela hora... aquela que talvez nunca chegará, ou aquela que está por vir ou a que já chegou.

"Todo o tempo do mundo já não basta mais se o segundo que eu quero não chegar."

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

- preso a um momento.


Como se todos que eu conhecesse estivessem terminando, sem motivos para amar. Tem alguém, ainda, o poder de se apaixonar? Sempre via em seus olhos o silêncio das palavras que não disseste, com medo ou com dúvidas; Expressando o que sentia com eles entreabertos, pensando eu não estar atento. Porém eu lia todos os simples movimentos que eles faziam. Adorava beijá-los para fazer-te perderes os sentidos e deixar-te sem graça. Fechava-os com minhas mãos e beijava sua boca... Nunca dei garantia que seria para sempre, mesmo eu querendo isso. Eu ainda sinto-te como estivesses ao meu lado, estando preso a um momento que não foi feito para durar. Não consigo alcançar seu coração...


“Mas eu ainda te preciso”

domingo, 1 de agosto de 2010

- pensei, só pensei.


Estou vendo as coisas passarem bem rápido lá fora. Como se em vez de “play” estivesse apertado o “avançar”. Sentado, estou vendo os carros e pessoas andando com seus cachorros e eu indo cada vez mais longe delas... Afastando-me até meus olhos deixarem de enxergá-los. O céu está alaranjado, com o Sol se pondo no horizonte e já vejo algumas estrelas. O livro que eu lia se fechou em meu colo com o movimento brusco que deu. Os minutos aqui dentro são horas e lá fora são segundos. Já é noite e meus olhos parecem querer fechar. Ouço algumas vozes por trás da música que ouço em minha mente, cantando sem eu mandar, pois tenho fones no ouvido, mas não consigo sentir que som toca. Sem querer mexer do lugar em que estou, deixo meus olhos entreabertos só para ter noção de onde estaria, mas mesmo assim algumas luzes me dá uma cegueira momentânea, ora do pedágio, ora dos carros, nos quais são muitos. Estou sentado na última poltrona, está um pouco frio, mas mesmo vestido com uma blusa parece não ser o suficiente para me aquecer. Olho para o lado e lembrei que tu estiveste aqui, pois o banco e minha mão, no apoio, estavam aquecidos, mas o resto do corpo não. Percebi que tocou nossa música (só não me lembro bem o nome dela) e eu coloquei um fone em seu ouvido direito, e acompanhei-a em seu ouvido esquerdo enquanto tu dormias; Tu não acordaste. Minha mão estava entrelaçada a sua, assim, podendo sentir todo seu calor. E com o defeito de nunca saciar-me com pouco, quis abraçar-te e te dar um beijo, mas iria te acordar, então deixei pra lá. Senti-te entrando em sono profundo, onde suspirava em um sonho que ia além de onde estávamos. Não havia presente maior que sua presença e te ver dormir, todo indefeso. Dormindo, você encosta sua cabeça em meu ombro e se aconchega, me abraçando, tremendo levemente de frio, onde pude sentir seu perfume, que guardo até hoje. Queria que o mundo parasse naquele instante, onde o eterno não seria suficiente.
Esfreguei meu olho com uma de minhas mãos para ver se estava em mais um de meus sonhos frequêntes e dei de cara com o motorista vindo me chamar, acordado por ter chegado ao meu destino final, com uma de minhas mãos e a poltrona do meu lado quentes e minha mochila posta no banco ao meu lado, sentindo seu perfume...


"Talvez não fosse um sonho..."

- odisséia despetalada.


A lira cantou para atrair os pássaros
Deveras eles ouvirem
Suas assas bateram
Para nunca mais voltar.

Cantou para o Sol
Cantou para a Lua
Ele se afugentou nela
Juntos, o céu perambularam.

Enfraqueceu-se sua canção
Por não haver recíproco
Triste deixou de cantar.

Canção do exílio de um sonho maior
Sintética cantou sua melhor coletânea
Hoje, solitária, canta alto seu hino aos que sonham.