- Romeu III – Apenas Natal.


[...] Logo, ela secou-se e correu escrever seus cumprimentos em cartões de Natal a cada pessoa amiga, em sua mesa de madeira velha, onde passou grande parte do seu dia ali. Então os enviou. Um ela fez questão de escrever com mais atenção... A do Papai Noel. Ela pegou uma folha especial, não que precise ser, e começou com as seguintes palavras... “Oi, meu velhinho... descansou bastante desde o último Natal? Esse ano passou rápido novamente e cá estamos no Natal de novo. Lembra o presente que te pedi ano passado? Então... eu não tenho mais ele... Simplesmente o perdi em algum lugar... Estou tentando procurar, mas não acho. Nesse Natal tenho um pedido a fazer: eu gostaria de passar dormindo, onde, em meus sonhos estaria comemorando o Natal com ele, o meu Romeu. Queria que você pudesse ver, Papai Noel, minha árvore de Natal que montei na minha mesa de cabeceira. Ela é pequena e iluminada e tem a foto do meu Romeu do lado... Então, Papai Noel, desejo-te um Feliz Natal e Feliz Ano Novo também e neste Natal eu agradeço a Deus por tudo, pois Romeu deixarei para pedir ao senhor, apenas, Natal que vem, já que neste Natal não o ganharei mesmo. E antes de eu ir, tenho mais um desejo a fazer: Entregue esse bilhete ao Romeu, mas não diga quem o escreveu." Ela enviou a carta, sem endereço ou CEP e ficou olhando da janela, esperando o Natal seguinte para o seu pedido fazer.

“E no bilhete dizia: Eu desejaria estar com você; Feliz Natal, amor.”

- Romeu II – Esmero.


[...] E, cansada de estar na janela, sabendo que ali continuaria, mas nada aconteceria, resolveu lavar-se. Encheu a banheira com água quente, pingou gotas de chocolate para dar uma essência calorosa, jogou pétalas de rosas, para dar um aspecto romântico e jogou um pouco de pó de espuma, para ali, estar a magia. E vai tirando sua roupa, peça por peça, como se estivesse em câmera lenta e vagarosamente vai entrando na água. Ela deitou em sua banheira e ali resolveu ficar; de olhos fechados, de mente fechada, de sentimentos fechados. E mesmo tentando tirar absolutamente tudo de sua cabeça, seu amado ainda sondava por ali. Então ela resolveu esfregar-se e ensaboou seu rosto. Num único jato d’água ela banha seu corpo e nele vai o suor e seu amor, quando, ela decide, de vez, acabar com tudo, abrindo o ralo e deixando tudo ir embora.

“E eu desejei que você apenas fosse.”

- Romeu.


[...] e em sua janela, onde todas as manhãs passara algumas horas, sentiu uma leve brisa de uma fragrância de rosas que tomou sua mente e fez lembrar naquele ramalhete que ganhaste a alguns dias atrás. Ela simplesmente paralisou e fechou os olhos, fazendo um “bico” beijando a boca de seu amado, que, na realidade era a ilusão de sua mente, onde a fragrância havia dominado-a. Algumas lágrimas pediram pra sair, mas ela disse a si mesma que nunca mais choraria, por nada; e assim foi. E ao correr o dia, o Sol desencontrou-se com a Lua novamente e a noite caiu, mas estava escura e tenebrosa, onde não havia se quer uma estrela ou a própria Lua. Ela disfarçou, fechou seus olhos, imaginou-o de novo e segurou suas mãos. O brilho de seus dentes, o brilho dos seus olhos, o brilho de sua boca... fez iluminar a noite que até a Lua e as estrelas, espreitando por de atrás das negras nuvens, ficaram com a inveja do brilho que saia ao seu redor, segurando as mãos dele, mesmo ele não estando ali.

“Não estou incluído, mas te ilumino.”

- calar.


Não quero mais expor meus sentimentos. Não quero mais me expressar. Não quero ter vontades vãs e nem auto-descontrole. Hoje eu fumo pra curar a ansiedade. Eu bebo pra curar a solidão. Uso drogas pra fugir da realidade. Tomo calmantes para não enlouquecer... Não sei quem fui, ou quem sou e nem quem serei. Esqueço da vida e de tudo em minha volta. Explodi meu mundo e todos que viviam dentro dele. Sou apenas um organismo em sua estremeção pela ausência de calor, vivendo, fumando, sobrevivendo...

“ Talvez eu acorde de uma vez sem o tormento diário de sua presença, derrotado por você; caindo para sempre.”

- e desde o começo.


Sempre peguei-me perguntando, por que eu? O que será que eu fiz para te merecer? Apenas elogiei uma foto sua e já me sondas? Sim, estava frágil, deveria saber desde o início; mas não... Eu sempre quis acreditar em algo bom que poderia mudar minha vida, e olha como estou agora!? Deveria ter detido o sentimento logo de início, tipo, como uma pessoa popular poderia gostar de uma pessoa que nem se quer tem amigos? Mas a vontade e a infeliz esperança gritaram mais alto e não pude ouvir mais nada além da vontade de estar somente com você. Tentei e dei o melhor de mim, mas, o suficiente nunca foi uma qualidade sua. Com certeza estás vivendo um conto de sonho de fadas real; sentindo na pele. E fico feliz por sentires assim, já que, antes, me proibia de ficar cegamente apaixonado, e agora assim estás; ironia, não?! Pois é... Não posso te culpar por eu não ter despertado algo de melhor em você, não posso. Devo fazer com que o destino faça tudo, ou devo arriscar e saber se seremos nós eternamente? Xii, lá vem a inquietação de novo. Não sei, viu?! Juro que não sei. Como será que é sentir o gosto do fim? É amargo e dói. Estou tentando jogar pedras de gelo na última chama que resta acesa, mas sempre quando falta apenas uma pontinha de fogo pra apagar, vem uma faísca e volta a reacender. Por que não me detona de uma vez? Se você tiver de ir, eu desejo que vá, porque sua presença permanece aqui e não vai me deixar em paz.

“Mas eu preferiria morrer sozinho do que morrer sonhando.”

- talvez.


Talvez eu tenha te perdido, talvez apenas me afastado. Talvez eu tenha sentido amor, talvez tenho sentido sua falta. Talvez te odeio por isso, talvez seu olhar me ronda. Talvez sua voz silenciou-se para nunca mais cantar nossa canção, talvez cante todos os dias para si e mais ninguém. Talvez eu durmo segurando seu dedo indicador, talvez o relógio me acorda e estou segurando meu próprio dedo com força. Talvez eu não use seu perfume e apenas, a cada manhã, abro ele para sentir-te mais perto de mim, talvez isso não seja o suficiente. Talvez a vida esteja ensinando-me alguma lição de paciência e fidelidade, talvez eu deva correr e me esconder. Talvez eu queira gritar, o mais forte que meu pulmão aguentar, pedindo para estar comigo, de qualquer maneira, talvez nem eu próprio ouço o som. Talvez o tempo fizera com que minhas lágrimas secassem por completo, talvez apenas gotas de solidão e saudades escorrem do meu coração. Talvez desejo-te aqui comigo para nunca mais partir, talvez não passe apenas de um desejo, talvez irreal.

“Apenas tenho certeza do seu amor e do seu sorriso...”

- nem pra todos.


Hoje é um dia feliz. Sim! Estou esperando ansioso. Corro pro banheiro tomar “aquele” banho quente e demorado, pra ter certeza de que ficarei cheiroso. Enrolado na toalha irei pro meu quarto escolher minha melhor calça e a camiseta nova que ganhei semana passada. Passarei um perfume, aquele preferido, que tanto gostas e espirrarei a quantidade precisa ou até a desnecessária, só para te fazer bem. Correrei passar creme no cabelo e escovarei meus dentes. Espero estar perfeito o suficiente para agradar-te. Ainda não sei que tênis usar... Haaa, já sei!! Estou um pouco nervoso, mas confiante. Esqueço de problemas, de serviço, da minha religião e corro pra rodoviária e procuro-te. Meu coração disparou e naquele momento senti, realmente, o que é sentir o amor. Um sonho!

“E Sol escureceu.”