- como uma folha.

E se eu for como uma folha ao vento, esvoaçar-me-ei pelo ar, onde, a qualquer momento perderei o equilíbrio e cairei no chão; a descansar. Queria poder ser uma folha que paira no ar, para admirar a tua face e descansar no conforto do teu colo, subindo lentamente com o vento para sua boca encontrar e nos seus lábios ali ficar; sentindo seu cheiro, esquecendo do tempo e encontrando o equilíbrio. Mas não sou uma folha e nem posso voar, entretanto o vento sempre me leva ao teu encontro para eu me entregar e descansar.
“Nunca a despreze, na rua, pelo seu infinito significado”.

- 2:26.

E de repente no meio da noite os olhos se abrem e você começa a se encontrar. Descobre que está deitado, que ainda é madrugada e está morrendo de sede. Mas a primeira e única coisa que as pessoas normais fazem, é puxar (ou empurrar) a coberta, virar de lado e continuar a dormir, suspirando fundo e voltando de onde veio. As pessoas anormais acordam de madrugada e correm olhar no celular para ver se tem alguma mensagem. Aí você perde o chão, perde o sono, perde o rumo, perde a sede, perde o frio, perde o ar, perde até os sentidos, esquece que estava deitado, sente-se especial e, depois de algum tempo, dorme abraçado com o celular; foi bem assim.
“A mensagem dizia: Te amo te amo te amo”.

- em centímetros.

Resolvi pegar uma régua. Ela tinha 15 centímetros, e fui logo medindo o amor. Virei-a para lá, virei-a para cá e nada. Coloquei bem perto e bem longe, mas sem sucesso. Tentei uma de 30 centímetros, uma de um metro, tentei o esquadro, o transferidor, mas não funcionou. Tentei medir com passos largos, com passos curtos, com as palmas de minhas mãos, com os dedos, com minha altura... tentei ficar até na ponta do pé, mas não obtive nenhum resultado. Direita, esquerda, diagonal, transversal, horizontal, vertical, paralelo, mas não. Fechei os olhos, olhei para cima, olhei para baixo procurando, pelo menos, imaginar um tamanho, um resultado, e quando abri os olhos cheguei em uma estatura...
“A medida do amor é amar sem medida”.

- rabiscando.

Brilhastes outra vez, oh formoso cometa. Tu que perambulas o universo em uma magnífica velocidade tocando o infinito e levando-o contigo. Perambulastes por dentre as nuvens, tocastes suas estrelas com suas fagulhas e pintastes o lindo e imenso céu com sua luz intensa e desfocada. Esticastes sua calda, pegastes o lápis branco e riscastes compridas listras contínuas decrescentes, onde vão se apagando no horizonte n’um curto espaço de segundos. Fútil amor é a prova do extraordinário reencontro de sua beleza cômica com a vasta constelação da atmosfera, onde explodistes seus corpos em uma grande colisão e transformastes em clarões de fogo, para iluminar minha noite, acima do horizonte.
“Pois o firmamento vai além do espaço visível.”

- esperando.

O que será que aconteceu? A estação mudou? Acordei do sonho? Era um sonho? Um dia almas gêmeas, no outro desconhecidos. Num dia o casal perfeito e no outro apenas conhecidos. O que será que aconteceu? Apenas colocarei meus fones de ouvidos, aumentarei o som no máximo e esperarei o amanhã chegar, pois hoje eu estive sozinho, e continuo até o momento...
“Apenas um poeta e as suas conclusões.”

- embriagado.

Lutando contra a gravidade, alguma coisa ali parecia estar de cabeça para baixo. Era eu ou o mundo todo? Não me lembro bem o que tinha ao redor, mas lembro dos olhos; os teus. Os meus sorriram quando viram os teus e nada ali parecia ter sentido. Naquele momento, sim, eu queria ficar para sempre; embriagado com teu ser. Descanso nos braços, deito no colo e alguém parecia cantar alguma música de fundo. Apenas nós e o vidro embaçado. Mas o ruim do perfeito é lá no final do dia, quando fica só a saudade, uma em cada cama; saudade, um sentimento que vira uma dor física quando estamos longe. Porém eu te amaria outra vez, ao amanhecer.
“Vamos rápido que já estamos atrasados. O galo está cantando...”

- para começar de novo.

Tudo pareceu tão estranho. Um abraço era a reação daquele momento; até parece!! Barriga cheia e a boca suja de chocolate. Outro abraço, um primeiro beijo. N’outro dia um olá de longe e meio sorriso; nem vem!! Barriga não tão cheia e um calor insuportável. Mãos entrelaçadas e um primeiro beijo. Mais um dia se passava. Pés sujos de barro e uma floresta nos cercando. A corrente de água era forte e os pássaros cantavam. A boca estava doce por uma bala. O olhar não encontrou, mas abraçou e outro primeiro beijo... Por que são todos primeiros beijos?
"É como se cada beijo fosse o primeiro; inesquecível"

- impressão.

Rasgado, perfurado, com a ponta de uma lâmina vermelha que faz “tum-tum”. Costurado, inibido, com um remédio que cura com o passar dos dias. Sarado, cicatrizado, deixando um sinal, porque a marca é para sempre. Superado, esquecido, porque há coisas que não valem a pena ficar lembrando.
“Mesmo que ainda esteja ali; soterrado.”