"Você não pode brincar com coisas quebradas."
- a vida não se acaba quando deixamos de viver, mas sim quando deixamos de buscar algo nela.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
- em seu silêncio.
Sei que não está mais aqui. Mas me sinto bem melhor assim, pois sei que doeu, mas não existe ferida que não cicatrize, existe?! Há uma triste história de um homem que resolveu manifestar seus problemas na bebida (não lembro se era gim ou vodka) por não querer mais falar; emudeceu pra sempre. Estava perdido por dentro, contando histórias, em silêncio, para o fundo de uma garrafa vazia. Perdia horas olhando ao redor, procurando um ponto fixo no qual o chamasse atenção; mas nada achava, além de sua garrafa. Um estrondo cessou o silêncio e sua garrafa partiu-se em milhares de cacos. Tentou procurar outra garrafa cheia ou vazia, não importava, mas aquela era insubstituível. Com uma cola de colar papel (era a única que tinha) tentou colar os pedaços, mas se cortou profundamente , abrindo mais uma cicatriz sangrenta, na qual demorará outro tempo para cicatrizar.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
- imprfeito.
Estou sentindo o amor desde os tutanos do meu fêmur até meu olho grande quando olho o topo de uma cidade imensa; infinita. Estou louco, incontrolável, uma ave fora do ninho; hipnotizado. O mundo não entende, as pessoas tentaram, mas não parece possível explicar tal sentimento... procurei juntar letras, mas não as achei; um sonho realizado, mesmo sem carruagem, bruxas e castelos. Mas esvaneci, sim. Tudo parecia estar fora do lugar, uma loucura, tudo incomum; faltava ar. "E agora?" Me perguntei... agora está ordinário, pressionado, tenso. Tirei a venda e não sou guiado mais por ti. Não sou seu prisioneiro, nem seu escravo particular. Me dei por inteiro, nada faltou. Te completei, me declarei, me arrisquei, me afundei. Não consigo levantar, não quero. "Saia daqui", diz meu interior... "SAIA". Mas as palavras não passam de ecos que apenas meus pulmões e minha garganta sabem. Por quê?! Apenas porque... é... reticências... nas palavras... no meu pensamento... nos meus olhos... e... na minha carne..."67%"
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
- Ahhhhhhhhhhh.
Queria poder gritar... bem alto. Queria poder gritar nas montanhas, na floresta, num deserto escaldante; apenas gritar. Gritar para a lua e para as estrelas, para as nuvens e para o céu; ele não tem culpa. Gritar, apenas gritar. Gritar onde ninguém poderia me ouvir e vir questionando qual o motivo do grito. Apenas gritar bem alto, sem nada nem ninguém saber. Gritar pro mundo afora, gritar pro mar, para o horizonte... Mas estou cercado de pessoas e não posso gritar; meu pobre e esquecido grito, que está preso nas minhas cordas vocais e não consegue sair.
"Apenas continuarei a hesitar, aguentando firme com meu grito calado."
sábado, 17 de janeiro de 2015
- ardendo.
Na pia apenas um prato, um copo, um talher. No banheiro uma toalha, uma escova de dentes. No quarto um colchão, um guarda roupa, um perfume; velho, esquecido. Nas paredes apenas ecos, no quintal um resquício de perfume sendo apagado pelo vento; sopro ingrato. O sol está escondido, mas está ardendo a pele crua. Os pássaros cantando; sobrecarregados. Aquele cantarolante piano está em um silêncio contínuo e um pouco empoeirado. A borboleta repousa no lírio e a chuva foi embora, não olhou para trás e nunca mais voltou. O que houve de errado?
"Nada... Apenas cansados."
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
- (re)inventando.
Tudo mudou... a vida mudou, o andar mudou, o quadrado mudou, a rota mudou, o sabor agora é outro; tudo está metódico, chato e previsível e se é assim que tem que ser então seja. Tive que (re)criar sentimentos, confeccionar os passos e deixar de sonhar alguns sonhos; sem expectativas. (re)Fiz meu libido, transformei minha necessidade e a bússola está para leste, apontando para um caminho perdido no meio tédio. Tirei o velho cérebro e (re)pensei em pensar um pensamento objetivo... sim agora sim! (re)Argumentei sua fala e agora está novo em folha, um pouco enferrujado, mas vai (sobre)viver.
"Seja bem vindo novo eu."
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
- relicário.
Procurei e não te achei... Onde está? Você foi embora? Estava tudo um pouco estranho, mas ainda assim precisava de você. Eu estava bem antes de você chegar, por que apareceu? Não pode ir escolhendo o lugar e tomando conta dele sem avisar ou pedir permissão; mas o fez e intitulo-me de "o pouco que sei ". Abraçou, cobriu com um singelo amor e colocou uma plaquinha escrito "SOMENTE MEU". Não impedi, não manifestei; apenas entrei no caleidoscópio e me camuflei em sentir o mesmo. Agora guardo tudo o que sobrou dentro de um pequeno relicário com chaves e correntes, para que dali nunca mais venha sair.
"Era uma vez, nós dois..."
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
- amor recíproco.
Que bom que você veio...
- Que bom que você veio.
Senti saudades...
- Senti saudades.
Quero te abraçar...
- Quero te abraçar.
Eu te amo...
- Eu te amo.
Quer casar comigo?
- Quer casar comigo?
Quero!!!
- Quero.
"Respondeu o eco..."
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