quarta-feira, 8 de novembro de 2017

- temporal.

Uma droga. A cabeça parece não saber administrar tanta informação. A tentativa de fuga em outros olhos não faz a mínima diferença. Nada aconteceu de nada. E mesmo se fosse, nada mudaria. Aquilo parece estar tatuado em algum lugar escondido, com aquela tinta que não sai do corpo; nem da alma. Queria acreditar que tudo mudou, mas minha crença se esgotou como um temporal seco e ensolarado. Ainda quero a melhor parte de você. Ainda quero aquelas promessas feitas. Ainda quero aqueles olhares para mim. Ainda quero o sorriso pra mim. Ainda quero você. Porém conjecturo que minha cicatriz da falta de acreditar naquelas palavras doces está aberta e dói. Alguém pode responder por mim? Alguém pode levar isso embora? Alguém pode trazer de volta pra mim? Alguém pode acabar com tudo isso? Alguém pode superar? Alguém pode me roubar? Alguém pode me ajudar? Alguém pode ler isso?
"É tão difícil pedir pouco?"

terça-feira, 7 de novembro de 2017

- bom dia, madrugada!

Olhei que as estrelas estavam sumindo com a claridade, a lua está de férias e o sol estava acordando, no horizonte, colorindo o céu de tons amarelados e alaranjados, apenas para bater seu cartão de ponto; ele nunca atrasa. Os pássaros já estavam em festas em suas árvores e seus ninhos e os carros estavam dispersos, em alta velocidade, perambulando de um lado para o outro. O vento soprava bem forte, num assovio e outro, e o frio estava bem presente. Meus olhos ainda estavam abertos. Eu lutava para eles fecharem e eles lutavam contra, olhando para o alto sem rumo, escuro, me perguntando coisas, tentando me convencer de outras; sem sentido.
"A madrugada de olhos fechados parece ser bem mais rápida."

- des/harmonia

Nada adiantou. Tudo continua a mesma coisa. O mesmo silêncio, o mesmo buraco, o mesmo vazio. Nada preenche, nada substitui, nada encaixa. Maldito, maldito! Fecho os olhos só para não olhar para o relógio, mas os segundos estão passando lentamente; mais do que o costume. Até o sono está desamparado e fraco de fome. O rosto está cabisbaixo, os olhos caídos, os pés arrastando e o sorriso enganoso está mostrando seu lugar de onde pertence. Algo está gelado e corroendo por dentro, e não parece certo, mas está. Apenas saia daqui, pois meus pensamentos e dentro dos meus olhos não é mais seu lugar.
"Maldito, dissimulado."

domingo, 5 de novembro de 2017

- devaneio.

Ainda havia aquele 1%... com certeza, bem em frente a uma estrada com dois caminhos. Estava pendendo para um deles, mas o outro ainda era uma opção, ERA, mas não havia escolhido-os. Todos eles foram destruídos e me sobrou somente ir em frente com espinhos pontiagudos; minha escolha, minha vida, em frente sem chorar. A página está virada e as letras estão embaçadas em minha mente, como uma neblina de incertezas, e elas vão permanecer lá, em um quarto empoeirado junto com músicas passadas, o som da chuva e o brilho das estrelas. Queria jogá-las no lixo, no devido lugar, mas não tenho controle disso. Vou apenas esperar as folhas dessa página ficarem amarelas, e podres. Não posso enterrar algo que já estava embaixo da terra. Agora o espelho da minha mente vai refletir a pior parte de mim e ninguém pode me impedir. A mira mudou de alvo e só me resta uma bala... eu decido o que faço com ela; e não será em mim.
"Não vou velar por algo que não conheço mais."

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

- rimas mudas.

Ainda não sei como dizer pra mim. Os versos ainda estão mudos e eu me perguntei se eles permanecerão assim. Não quero mais intrusos e eu sei que consigo. Respirei um momento só pra mim e sei que tudo vai acontecer. Sei que algum dia tudo vai se reconstruir e voltar ao seu lugar, até nos pequenos detalhes. Hoje o coração grita que não, em alto e bom som; só não me venha com outra rima.
"E se vier, meus ouvidos estarão tapados."

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

- ir.

Tudo começou com um olhar errado; uma parcela de ilusão no tamanho e cor. Fiz muitas rimas escondidas para colocá-las no seu devido tempo onde elas deveriam estar. Elas eram sinceras e coadjuvantes , com sua parcela de realidade e realidade; sim. Tudo o que sei é que o tempo passou como o balançar de um pêndulo de um relógio antigo, talhado minuciosamente seus detalhes, incansável sem nunca perder seu ritmo; depois de tanta tentativa, talvez... Tudo parecia tão irreal, como algo jogado pela janela sem mostrar seus cacos. Também tentei manter tudo dentro de mim como um lindo piano antigo, com uma rosa vermelha para lembrar do seu cheiro; não da rosa. Mas aos poucos estava lotado de móveis envelhecidos, esquecidos e calado; aí tudo desmoronou de uma vez. Tentei tanto e cheguei bem longe, mas agora é uma memória de... isso nem importa mais. Perdi tudo e caí. Confiei em tudo isso, mas aguentei só até onde podia ir.
"Tudo isso só para ver apenas ir."

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

- inspiração.

E você voltou; como eu já esperava. Cheia de desejos, amores, dores, lágrimas e insônias, nem que seja apenas em palavras, ou versos simpáticos, ou 3:39 da madrugada. Um domínio sobre a mente e as palavras é o que prevalece em uma noite fria de primavera com ventos que assoviam. Os olhos parecem querer fechar entre um piscar e outro, mas as palavras me acordam com um grito que ecoa na alma e vai passeando por todo canto que desejar; eu estava no comando. Todos os lados estão escuros e embaixo da cama parece um esconderijo de criança, com apenas uma lágrima mal formada querendo sair e voltar e sair de novo e voltar novamente para os olhos; morreu de sede. E o som do ventilador é o escudo que protege todo e qualquer um que tentar entrar sorrateiro para morar no lado esquerdo; vão bater às portas sem chaves nem maçanetas... espero que desistam logo.
"Parece um feixe de luz lá fora, mas está tão aconchegante aqui dentro..."