quinta-feira, 18 de maio de 2023

- olá, relicário.

Precisei varrer a Lua hoje, em todos os cantos para ter certeza de que nada faltava. Pensei em deixar algum escondido embaixo do tapete para ninguém olhar ou perceber, mas eu, no fundo, saberia que ali estava e, então, preferi deixar o tapete em paz. O dia está amanhecendo e só tinha um lugar montado na mesa... um vaso de flor envelhecido, um talher de bronze antigo, um prato de louça contemporânea, uma taça de cristal, um guardanapo de linho puro, um sousplat de madeira e um prato de couvert com suas cores gastas de tanto uso. Tudo está pronto, tudo está bem, tudo está confortável e quero que fique assim, mas precisarei montar um lugar a mais, infelizmente... mais um vaso de flor envelhecido, mais um talher de bronze antigo, mais um prato de louça contemporânea, mais uma taça de cristal, mais um guardanapo de linho puro, mais um sousplat de madeira e mais um prato de couvert com suas cores gastas de tanto uso. Está me dando muito trabalho, mais do que eu pensei e quero e estou começando a cansar dessa ilusão diótica fascinante.
"O que está acontecendo?"

quinta-feira, 13 de abril de 2023

- outro cenário.

Eu realmente não descobri a engenharia para construir a máquina do tempo... Eu voltaria e cumpriria minha promessa do "para sempre", eu faria de tudo para você ficar, eu seria somente seu; eu e você contra tudo. Você não seria aquele que chorei escondido, não seria aquele que me fez perder a cabeça por não dizer adeus, não seria aquele que me desestabilizou por várias vezes. Eu deveria ter te contado todas as vezes o que você realmente significava para mim, mas muitas partes de nós estavam com hematomas e hemorragias, fazendo as nossas bocas ficarem bem costuradas. O cenário mudou e hoje ressignifiquei tudo. Eu guardei o adeus, guardei as palavras, guardei o silêncio, guardei as intensas lágrimas, guardei a dor, guardei as lembranças, guardei a saudade, guardei os cacos, guardei os entulhos...
"Guardei tudo de nada."

quinta-feira, 16 de março de 2023

- eu farei.

Se for para me calar, eu farei. Se for para tapar os olhos, eu farei. Se for para fingir, eu farei. Se for para matar meus sentimentos, eu farei. Se for para me sufocar, eu farei. Se for para me tornar um estranho, eu farei. Se for para eu sofrer sozinho, eu farei. Se for para eu chorar no escuro, eu farei. Só não venha se arrependendo mais uma vez do mesmo erro, porque se for para colocar um ponto final, eu farei.
"Pessoas confusas perdem pessoas incríveis."

sexta-feira, 3 de março de 2023

- lixo com tampa.

Uma próxima vez? Não terá uma outra vez; nunca existiu. Suas técnicas de deixar coisas para dar saudades não foram concluídas com êxito; tudo virou reciclagem, eu acho. Seus elogios, que nunca falou pessoalmente para mim, que foram deixados do lado de fora de uma caneta, estão guardados.... deixa eu ver onde... calma que eu lembro... ah é, não foram guardados; foram queimados. E se, por acaso, der um pouco de saudade, me faz um favor... enfia bem no fundo do seu lixo e tampa.
"Igual você fez comigo!"

sábado, 4 de fevereiro de 2023

- a relva.

Hoje o dia amanheceu mais cedo do que o comum. Era para tudo estar no lugar, era para todos estarem sorrindo, era para o sol estar brilhando. Mas uma, duas ou mais lágrimas estão aqui, saindo pela falta de ar, mesmo ele estando presente, soprando meu rosto, com um sufoco de perda, medo, desespero e despedida. Já sei o amanhã e ele tomará a mesma atitude do ontem (que já foi amanhã um dia) e vai ser doloroso mais uma vez e as minhas mãos estarão fechadas, de medo, de novo. Por que me deu para provar o sabor da perfeição se vai tirar ela de mim? Por que eu quis a fruta mais alta do pé? Para onde eu vou? Por que eu continuei colocando a mão, se eu sabia que eu me queimaria? Por que eu tentei? Não quero mais tentar, não quero mais jogar, não quero mais sangrar. Só quero que esse sonho ruim passe e eu acorde logo, antes que passe o tempo, sem eu perceber, e eu precise ficar mais cem anos esperando alguém me acordar com um beijo.
"Precisava doer tanto?"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

- oito patas.

Hoje não sei como estão, não sei com quem estão, não sei onde estão... Se estão branquinhos, ou sujinhos de terra, se estão magrinhos ou umas pelotinhas, se estão felizes ou nem tanto... Uma coisa eu sei... Estou sentindo saudades! Sentindo a falta de um uivo de "até logo, mas volta logo para mim, por favor", uma balançada de rabo que parece mais uma dança rebolada que mexe o corpo todo, o esconderijo secreto embaixo da pia da cozinha quando aprontaram algo, o desespero pelo passeio seguidos de corridas desesperadas e mordidas de ansiedade na coleira, saltos e empurradas de fucinho, um xixizão para marcar território, vários giros para a hora do cocô, um ossinho para começar o dia e várias lambidas de "eu te amo para sempre". Meu maior sonho hoje seria poder estar com vocês, visitando vocês, abraçar vocês e dar longos beijos de saudades. Mas eu não sou forte o bastante para encarar tudo o que eu bloqueei forçado dentro de mim... eu juro (juro) que se tivesse uma pequena, mínima, forcinha eu faria, mas não tenho nenhuma força para isso... me desculpem, por favor. Eu junto minha mão na outra, aperto bem forte e choro lágrimas de saudades, de olhos fechados. Mas hoje eu resolvi externalizar isso e deixei vocês marcados em mim por toda eternidade e, não importa o tempo que passar, mesmo vocês ou eu sendo apenas estrelinhas...
"Eu sempre levarei vocês comigo, meus amores: "Uéuri e Feta""

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

- amor?

O amor (para mim) não é uma brincadeira. Não é um beijo escondido. Não é uma foto escondida. Não é um pensamento escondido. Não é um sorriso escondido. Não é uma piscada escondida. Não é trocar números escondidos. Não é desejar escondido. Não é se encontrar escondido. Não é apagar conversas escondidas. Não é agir como nada estivesse acontecendo. Não é amenizar a traição. Não é mentir para si mesmo e culpar tudo, todos e sua vida toda, por atitudes impensáveis, mesquinhas, egocêntricas e narcisista. Eu vivia por você. Você era minha intenção, meu despertar, minha felicidade, meu brilho, meu sonho; o grande amor da minha vida. Mas você me destruiu mais uma vez. E como sempre, já saberei o final da história, de quem fica sentado limpando as lágrimas e quem sai feliz como se nada tivesse acontecido. Você me abandonou nos pensamentos, nas atitudes, na integridade, na verdade... Eu queria que tudo fosse diferente. A culpa é toda minha... A culpa é minha por eu me apaixonar por cada parte do seu corpo, por cada palavra que saia da sua boca, por cada música que tocava e eu lembrava em você, por cada abraço escandaloso de boa noite, por cada vez que me protegeu dos trovões, por cada vez que dançávamos no banho, por cada beijo de boa noite; me deixei levar. Estou a todo momento fechando os olhos forçados e abrindo para fazer com que tenha sido apenas um sonho ruim, o que aconteceu, e eu acordar para te contar esse terrível pesadelo, mas não está funcionando; não sei o porquê. Hoje vou carregar mais um trauma, de nunca ser a pessoa de alguém, de nunca ser o amor de alguém e de não acreditar no verdadeiro amor sem traições. Muita coisa foi perdida e eu estou sofrendo amargamente em lágrimas e desespero, mas minha consciência está limpa. Vou fazer como SEMPRE fiz... Sacudir a poeira, secar as lágrimas e seguir meu caminho sozinho; mas até isso acontecer, meu violão, as lembranças e a saudade vão me acompanhar por um bom tempo... Eu não acredito mais no amor.
"O que há de errado comigo?"