segunda-feira, 28 de julho de 2014

- esquecida.

Ela procurou e não achou; buscou e não encontrou. As respostas não foram dadas. Está sem lembranças, sem chão. Sua cabeça está confusa e ninguém pode ajudá-la. Agora, presa em seus pensamentos, seu mundo está condenado a destruição da eternidade. Seu corpo dói, a tristeza a invade. A solidão, sua amiga, está presa em seu ombro; sua verdadeira companheira. Ela caiu e não conseguiu levantar; ali jogada, nem a morte a queria.
"Ela está perdida; acorrentada dentro de si."

terça-feira, 13 de maio de 2014

- desabafo de um 70.

Encontro-me sentado em um cantinho de uma loja de bicicleta, num ladrilho bem frio e duro que deveria estar um tanto mais confortável por passar a maior parte do meu dia aqui; ele parece bem árduo, mas eu queria poder estar em algo um tanto mais confortável para relaxar minhas costas que dói por causa da posição arcada em que me encontro. Minha sandália está caindo aos pedaços e tem muitos furos na sola, que até parece que estou calçando um papelão no pé... apesar que um papelão não seria uma má ideia , porque assim não sentiria as pedras rasgando meus pés toda vez que piso sobre uma. Minha roupa está um maltrapilho, toda manchada de café, pois minhas mãos tremem muito e não consigo, na maioria do tempo, controlá-la. Minha família fica brava comigo, mas eu não consigo fazer ela parar de tremer; algumas vezes passo fome para não sujar minha roupa, porque todo mundo parece estar muito ocupado para cuidar de mim. Meus óculos estão embaçados de tão velho; não consigo enxergar com eles e nem sem eles; pressiono meus olhos para poder melhor focar minha visão, mas tudo está turvo. Eu nem encaro muito as pessoas para não sentirem-se ofendidas... passo grande tempo com minhas mãos em meu rosto para que não me vejam. Observo as pessoas passarem, as horas passarem, os dias passarem e nada me acontece de novo. Fico feliz quando está anoitecendo e sinto cheiro da carne assando no açougue ao lado... queria poder tanto saborear aqueles espetinhos suculentos com bastante farofa, mas não tenho coragem de pedir para ninguém comprar, para não terem mais gastos comigo.
“Estou vegetando, apodrecendo, apenas esperando para ser jogado fora como um embrulho de papel velho, esquecido e empoeirado”.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

- as dores de um silêncio.

A voz se findou e nela não se ouve nada além de gemidos incessantes de dores guardadas dentro da alma; elas não entram e não saem, mas permanecem ali para lembrar o quanto dói. A lágrima está grudada dentro dos olhos e não quer sair de forma alguma; tentei espremer, empurrar e forçar, mas ali ela continua e não quer escorrer. Os dentes estão fortemente cerrados como se estivessem mastigado algum tipo de cola, que agora secou e grudou para sempre e com isso a boca fez sua parte e agora não sorri mais. O Olhar está com pedras de gelo dentro de um copo no qual permanecerá gelado até a próxima estação. As mãos e os pés estão roxos, porque o sangue não quer percorrer seu espaço; estão morrendo. O corpo está cheio de dores e descaso; uma ânsia sem fim, um rangido que incomoda e nada parece resolver. O ar é como uma bomba de gás lacrimogêneo; queimando por onde passa. Me resta apenas esperar o sol voltar a brilhar.
“Porque é fácil dominar uma dor; exceto aquele que a sente”.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

- estava distante.

Estava caído, sem sentido, frustrado, mal compreendido. Te procurei e não te achei e em outras bocas me enganei, o que ganhei? Um coração partido estava antes, sem curativo, estava aberto, doente e sofrendo, chorando e gemendo. Não achei a solução, desisti de tudo então. Minha vida, agora vazia, ofegando, como num sopro da vela se apagando. O que houve? Onde estás? Te achei... como num passe de uma linda dança de amor na qual a sincronia melódica esbarra e abraça dois corações fazendo-os formarem apenas um... Te achei! Agora me perco dentro de teus olhos e dos teus lábios. Te achei e jamais largarei. Vejo então a vida das pessoas em minha volta, e continuo querendo, incessantemente você. Te achei e nunca se perderá. E como um encantador toca sua flauta mais solene para chamar seus animais para perto de si, basta me chamar com essa doce voz, que ali estarei, te amando, te querendo e sendo feliz, como nunca estive.
“E não importa onde estamos, o universo sempre lembrará seus olhos e eu os tocarei.”

sábado, 23 de novembro de 2013

- combalido.

Os segundos pararam. Olho o ponteiro do relógio e ele parece estar cansado; ele cessou. O tique-taque alguma coisa espera. Ele avança impetuoso, como uma tartaruga cansada correndo da tempestade de areia; exausta. Joguei-o no chão e seus pedaços caíram embaixo do sofá, espalhando-se. Mas ainda sim ouço seu soar dentro de mim; fadigado. E não adianta eu fechar os olhos e forçar, ele parece ficar cada vez mais lento.
“O ponteiro sangrou com a força que fizeram, como se uma mão o puxasse”.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

- apenas um sopro.

Estava tudo sob controle... tudo calculado: um papel amassado e manchado, anotado com tinta nanquim, embaixo de um pedaço tecido semelhantemente a cor do céu acordando, com um laço duplo na ponta, canelado e esquecido, sobreposto em uma velha mesinha de canto que se deteriora a cada dia que passa; cheia de poeira. Tudo estava calmo, até que um vento impiedoso enche o pulmão com todo o ar que conseguiu, inchou a bochecha, fez um bico e soprou o mais forte que pode; tudo saiu do lugar: um pedaço de papel canelado que se deteriora a cada dia que passa, cheio de poeira, anotado com tinta semelhantemente a cor do céu acordando, embaixo de um velho tecido de canto amassado e manchado de nanquim, sobreposto a uma mesinha com um laço duplo na ponta.
“Ainda parece organizado, não?! É assim que estou me sentindo”.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

- dez coisas que odeio em você.

Odeio quando tenta imitar o que eu falei usando uma voz insuportável;
Odeio quando não me chama pelo apelido;
Odeio quando está longe de mim;
Odeio quando me chama de bipolar, quando tento melhorar as coisas;
Odeio quando como chocolate sozinho;
Odeio quando não sinto seu cheiro;
Odeio quando me contraria na frente de todos;
Odeio quando diz que faço coisas ridículas
Odeio quando sempre que estamos perto, brigamos.
“Odeio não poder te odiar, nem por um instante.”