"Apenas procuro um novo verso com rimas incertas para te tapar; ou tentar."
- a vida não se acaba quando deixamos de viver, mas sim quando deixamos de buscar algo nela.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
- uma nova rima.
Parece que você nem se foi. Cada dia mais faço questão de lembrar aquela voz que saia estridente por dentre seus finos lábios; eu me irritava, mas te queria por perto. Eu sinto, sinto saudades daquele tempo em que desperdiçamos juntos, muitas vezes sem fazer nada, apenas estar. Ainda sinto sua presença dentro de mim, mas algo vem tirando você do meu eu. O tempo? O destino? Sei lá, mas dói. Não queria ter que levantar mais uma vez da minha cama e não te achar, nem debaixo da minha cama, nem em cima do guarda-roupa, nem na sola do sapato, nem atrás dos livros jogados. Eu sabia de tudo, mas agora tenho que te esquecer, só não sei de que maneira vou dizer pra mim; me convencendo que conseguirei sem você, não sou capaz. A vida está acontecendo e vou me reconstruindo, me recolocando em algum lugar que talvez me pareça certo. Quem completará meus incompletos versos?
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
- funeral.
Hoje eu me sentei e me permiti trazer à memória algumas lembranças daquelas tardes nubladas, quando estava deitado, sem paz em meus pensamentos. Eu não podia estar só, nem vazio, pois alguém estava ao meu lado, observando cada ar que em mim entrava. E em outra tarde qualquer, nunca irei esquecer aquele olhar, que, não demonstrei, mas vi todas as cores daqueles furiosos olhos, que diziam pra mim "adeus"; mais uma vez. Mas os lábios não se encontraram pela última vez; foram embora emudecidos e trancafiados. Agora vivo todos os dias em um funeral. Toda luz que havia em mim, agora é escuridão. Tudo que eu tinha de riqueza, agora é somente tristeza. Tudo o que eu sabia, agora é mentira. E tudo que eu preciso, está bem longe de mim. Não vais seguir em frente? Como faço para superar?"Não vou te enterrar."
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
- cinza.
Tudo está preto no branco. As cores perderam a sintonia e não existe mais as primárias ou secundárias; no máximo cinza. Os passarinhos cantam cinza numa equalização desarmoniosa de tristes e sofridas canções, juntamente com o vento cinza sem refresco ou calor. A terra está cinza, sem vida perambulando por ela, nem as minhocas, nem as gramas, nem as borboletas, nem as formigas cinzas, levando seu alimento desesperadamente no seu ninho cinza para alimentar sua bela e persuasiva rainha cinza. O clima está cinza e as árvores cinzas estão derrubando suas últimas folhas de seus galhos e suas antigas flores cinzas estão murchas e apodrecendo sobre um pequeno banco de madeira cinza, ao lado de um carro cinza que, antes era o ninho de um casal que se encontrava as escuras, em uma noite cinza escondido de tudo e de todos, com uma linda lua cinza e pequenos pontos brilhantes cinzas... mas num piscar de olhos eles se foram, um para a direita e um para a diagonal, um com lágrimas cinzas de saudades e outro com um falso sorriso de um dia que não terminou bem, disfarçando seu péssimo dia cinza. Algo os separa, algo os une. Sempre assim? Não sei... Uns dizem que o tempo passa e tudo passa, mas se o tempo cinza apaga, dessa vez, ele não apagará.
"Volte e devolva minhas cores, pois tudo ainda está cinza, sem previsão de cores."
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
- não estou mais em casa.
Estou farto dessas asas. Elas são como espelhos; não funcionam como deveriam. Queria abri-las como as de uma lagarta pós metamorfose e estar em outro lugar; eu não pertenço aqui. Queria poder acordar em outro lugar onde minha coberta são as luzes das estrelas e meu travesseiro as ondas do mar, onde nem para a direita e nem para a esquerda haveria algum rosto familiarizado; somente crocodilos e peixes vorazes (vá com calma, não quero ser devorado)... E quando menos eu perceber, olhar no horizonte um palácio cheio de luminárias acendidas a mão e minha gnose revelar que não passa de um cacto cheio de água para matar minha sedente desidratação; poeiras interiores. Pular do mais alto edifício que existir e ... nem tenho coragem disso. Não tenho coragem pra muitas coisas, desde o simples até o complexo, não vai; eu apenas tento. É como se tivesse passando do tempo e algo me puxando... um vórtice? Um furacão? As fortes ondas? Ah... como queria deitar nessas ondas salgadas e inconvenientes...
"E até minhas penas estão caindo por não alimentá-las mais."
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
- de olhos fechados.
Tudo parece estar meio confuso. Ouço vozes distorcidas de fundo e alguns bipes soando ordenadamente, sem se atrasarem. Minha mente está meio confusa, mas sei que algo aconteceu... sim.... aconteceu... estou deitado e não consigo abrir meus olhos, apenas minha mente está buscando decifrar o meu arredor. Bem... eu me lembro... que estava andando de carro, tarde da noite... cheiro... sim... estava bebendo alguma coisa forte, acho que era gym, não tenho certeza. Eu... estava triste com minha vida e queria esquecer tudo me afogando em um copo de... alguma bebida forte.... gym... eu acho que era gym... repentinamente sinto uma forte pressão e vejo várias luzes, vermelhas e azuis passando diante de meus olhos entreabertos, e eu estava meio curvado dentro do carro... fumaça... o pouco de olfato que tive senti cheiro forte de fumaça e meus braços estavam sangrando... o que será que aconteceu comigo? Não estou sentindo dor alguma... só estou desajeitado e envergonhado com tanta gente bem vestida ao meu redor olhando pra mim, tentando me tirar de dentro do meu carro... "eu não preciso de ajuda pra sair do meu próprio carro!" Mas as palavras não queriam sair... Estou com um zunido sem fim no ouvido, mas tenho quase certeza que pude ouvir uma sirene e alguém pedindo uma maca e soro, quem será que se machucou? Será que foi grave? Espero que não. Minha cabeça está doendo demais e não me sinto muito forte, e... minha.... vista... está... se... apagan............ Espera... estou deitado num hospital... sim!!! Eu sei quem sou e o que aconteceu comigo. Por que não posso me mexer? Por que não posso abrir os olhos? Por que ouço tanta gente chorando ao meu lado? Será que... eu... não! Não pode ser. Eu estou morrendo. Sim.... estou morrendo e não há mais nada que possam fazer por mim. Ah... como eu queria passar mais tempo com meus filhos ao invés de trabalhar tanto... Como eu queria ter feito aquela tatuagem de tribal no bíceps... Como eu queria ter comido aquele camarão frito que estava com tanta vontade, naquele restaurante caríssimo do centro... Como eu queria ter abraçado mais meus amigos e dito coisas que guardei pra mim por vergonha... Como eu queria ter deixado minha mulher em casa com um "eu te amo", ao invés de um "você só reclama da vida"... Como eu queria ter brincado a última vez com meu cãozinho, ao invés de gritar com ele por ele ter mastigado a ponta do meu chinelo favorito... Como eu queria ter pulado de paraquedas, para sentir a brisa do céu bem de perto em meu rosto... Como eu queria ficar só mais cinco minutos naquele banho bem quente sem me preocupar com a conta de água... Como eu queria ter voado de avião para tocar as nuvens através do vidro... Como eu queria chupar aquele sorvete de doce de leite com castanhas, no qual sempre o trocava por abacaxi com coco... Como eu queria estar com gosto de menta em minha boca ao invés de gym com sangue... Como eu queria gritar no meio do nada, onde ninguém pudesse me ouvir... Como eu queria mais uma chance... levantar dessa maca.... e .... apenas... dar um... pulo... de ale...gri..a..... Como... eu quer...ia.... a... úl...ti...ma... ch...an...ce..........
"Foi quando o médico anotou a hora no papel e desligou todas as máquinas que me davam ar."
sexta-feira, 15 de julho de 2016
- aroma doloroso.
Como eu queria... Como eu queria que vocês pudessem ver o que está dentro de mim. Ver além do que os olhos dizem e saber que não sou bonito por dentro... Estou podre, amarrotado, mofo, estraçalhado... Há apenas ossos em decomposição esperando para serem enterrados em algum cemitério de indigentes, cheio de lama e água suja. Meu sangue foi drenado pelas sanguessugas do destino que foram grudando em mim ao passar do tempo e eu nem reparei; sugaram até minha alma. Meus pensamentos estão enfraquecidos de tantos sonhos destruídos; eles me perseguem. Já não tenho metas e nem objetivos e a perspectiva e a esperança estão do meu lado... mortas de desnutrição; não mais as alimentei. Não percam mais tempo me procurando ou tentando me consertar, vocês nunca vão me achar; mas eu não sou invisível e não vou ser esquecido.
"Quero apenas deitar e desfrutar da penitência eterna que me espera."
sábado, 9 de julho de 2016
- bem aquecidas.
A noite estava escura. Não havia se quer uma nuvem e nenhuma estrela para contar histórias de dormir. Apenas uma leve brisa e blusas envoltas nos braços ali presente. Lembro como se fosse agora... algo me fazia olhar para você e algo fazia você olhar para mim. Nos encontrávamos em vários olhares; amo me perder em você. E de todo esse êxtase na contramão, volta e meia você me aquecia. Suas mãos passavam às minhas, e nesses momentos você conquistava cada vez mais um pedaço do meu coração. Elas eram quentes, tenras, suaves, macias, e elas passeavam nas minhas. Ah... Como eu queria esquecer minhas mãos nas suas por mais tempo...
"Por muito mais tempo."
Assinar:
Postagens (Atom)





