quarta-feira, 23 de outubro de 2013

- apenas um sopro.

Estava tudo sob controle... tudo calculado: um papel amassado e manchado, anotado com tinta nanquim, embaixo de um pedaço tecido semelhantemente a cor do céu acordando, com um laço duplo na ponta, canelado e esquecido, sobreposto em uma velha mesinha de canto que se deteriora a cada dia que passa; cheia de poeira. Tudo estava calmo, até que um vento impiedoso enche o pulmão com todo o ar que conseguiu, inchou a bochecha, fez um bico e soprou o mais forte que pode; tudo saiu do lugar: um pedaço de papel canelado que se deteriora a cada dia que passa, cheio de poeira, anotado com tinta semelhantemente a cor do céu acordando, embaixo de um velho tecido de canto amassado e manchado de nanquim, sobreposto a uma mesinha com um laço duplo na ponta.
“Ainda parece organizado, não?! É assim que estou me sentindo”.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

- dez coisas que odeio em você.

Odeio quando tenta imitar o que eu falei usando uma voz insuportável;
Odeio quando não me chama pelo apelido;
Odeio quando está longe de mim;
Odeio quando me chama de bipolar, quando tento melhorar as coisas;
Odeio quando como chocolate sozinho;
Odeio quando não sinto seu cheiro;
Odeio quando me contraria na frente de todos;
Odeio quando diz que faço coisas ridículas
Odeio quando sempre que estamos perto, brigamos.
“Odeio não poder te odiar, nem por um instante.”

terça-feira, 17 de setembro de 2013

- vivendo?

Então você sai da surrealidade dos seus sonhos mais estranhos e tão “seus” e volta para um mundo sujo e insano, onde o valor das pessoas é apenas o reconhecimento por ter menos cérebro, mais dinheiro e mais desamor; onde estou vivendo realmente? Um grande vazio no peito a ser preenchido, uma última pétala de rosa a cair na entrada do outono, um pássaro caído sem poder voar e vários pensamentos e sonhos deixados na beira do mar, apodrecendo. Apenas aprenderei a conviver com essa dor e relembrar o que está tentando ficar para trás; a paz, o sorriso e a ousadia de entregar um buquê de rosas para seu verdadeiro amor.
“Franzo a testa, fazendo um pouquinho de força. Dou um salto de olhos fechados e estou no meu surreal novamente”.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

- como uma folha.

E se eu for como uma folha ao vento, esvoaçar-me-ei pelo ar, onde, a qualquer momento perderei o equilíbrio e cairei no chão; a descansar. Queria poder ser uma folha que paira no ar, para admirar a tua face e descansar no conforto do teu colo, subindo lentamente com o vento para sua boca encontrar e nos seus lábios ali ficar; sentindo seu cheiro, esquecendo do tempo e encontrando o equilíbrio. Mas não sou uma folha e nem posso voar, entretanto o vento sempre me leva ao teu encontro para eu me entregar e descansar.
“Nunca a despreze, na rua, pelo seu infinito significado”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

- 2:26.

E de repente no meio da noite os olhos se abrem e você começa a se encontrar. Descobre que está deitado, que ainda é madrugada e está morrendo de sede. Mas a primeira e única coisa que as pessoas normais fazem, é puxar (ou empurrar) a coberta, virar de lado e continuar a dormir, suspirando fundo e voltando de onde veio. As pessoas anormais acordam de madrugada e correm olhar no celular para ver se tem alguma mensagem. Aí você perde o chão, perde o sono, perde o rumo, perde a sede, perde o frio, perde o ar, perde até os sentidos, esquece que estava deitado, sente-se especial e, depois de algum tempo, dorme abraçado com o celular; foi bem assim.
“A mensagem dizia: Te amo te amo te amo”.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

- em centímetros.

Resolvi pegar uma régua. Ela tinha 15 centímetros, e fui logo medindo o amor. Virei-a para lá, virei-a para cá e nada. Coloquei bem perto e bem longe, mas sem sucesso. Tentei uma de 30 centímetros, uma de um metro, tentei o esquadro, o transferidor, mas não funcionou. Tentei medir com passos largos, com passos curtos, com as palmas de minhas mãos, com os dedos, com minha altura... tentei ficar até na ponta do pé, mas não obtive nenhum resultado. Direita, esquerda, diagonal, transversal, horizontal, vertical, paralelo, mas não. Fechei os olhos, olhei para cima, olhei para baixo procurando, pelo menos, imaginar um tamanho, um resultado, e quando abri os olhos cheguei em uma estatura...
“A medida do amor é amar sem medida”.

sábado, 17 de agosto de 2013

- rabiscando.

Brilhastes outra vez, oh formoso cometa. Tu que perambulas o universo em uma magnífica velocidade tocando o infinito e levando-o contigo. Perambulastes por dentre as nuvens, tocastes suas estrelas com suas fagulhas e pintastes o lindo e imenso céu com sua luz intensa e desfocada. Esticastes sua calda, pegastes o lápis branco e riscastes compridas listras contínuas decrescentes, onde vão se apagando no horizonte n’um curto espaço de segundos. Fútil amor é a prova do extraordinário reencontro de sua beleza cômica com a vasta constelação da atmosfera, onde explodistes seus corpos em uma grande colisão e transformastes em clarões de fogo, para iluminar minha noite, acima do horizonte.
“Pois o firmamento vai além do espaço visível.”