- desfigurado.

O ar está rarefeito, difícil de respirar. Até o suspiro mais profundo parece que passa rasgando os pulmões como navalha na carne. Os olhos não querem permanecerem abertos de tão inchados, causados pela sonolência sem fim da insônia sagaz; quem te convidou para entrar? Os lábios estão fechados, os dentes não veem mais a luz do dia e o riso está cansado de sua vida útil; stand-by. Os ouvidos pararam de funcionar, pois há quilos de algodões dentro de si para tentar tapar todo e qualquer arquivo da voz da minha mente que possa entrar. E a mente está pulando de alegria, livre, leve! Já o coração... quem mesmo que colocou isso dentro de mim? Órgão detestável, imprudente e desmiolado.
"Algum dia eu acabo com você e suas batidas... e não falta muito."

- esmagado.

Como meus olhos... como meus olhos sentem falta... sentem falta das saudades incessantes que dominavam seu ser e seu coração. Sentem saudades daquele abraço que nunca mais foi dado, aquele apertado e esmagamente e dolorosamente prensado, dado na frente de todos, não escondendo aquele amor. Saudades de te olhar por horas, dormindo um sono profundo do qual estava em outro mundo, flutuando e suspirando, e, ao acordar, acordar com um lindo bom dia rouco cheio de saudades. Saudades daqueles olhos encantados por mim, mesmo eu sendo ordinário. Saudades das altas horas da madrugada perdidas, sem pensar no amanhã. Saudades dos risos à toa, olhado as águas, sentados em uma rude pedra, com o sol se pondo logo ali. Saudades do que eu representava para você: "seu tudo". Hoje encontro-me perdido em um universo onde ninguém sabe que existe. Apenas coloco meus fones de ouvido com uma música grosseiramente alta e saio, andando só pelas ruas, para me esconder naquele lugar que só eu sei, onde só vou quando tudo está destruído; destruído por dentro, por alguém que mudou o que sentia por mim.
"Não sou mais tão especial assim..."