- cadê o presente?

Você vai dormir todo ansioso; desesperado. Mexe-se várias vezes na cama, de um lado para o outro, fecha bem forte os olhos e de repente entra num sono forçado; adormece. Está ali somente para passar o tempo e quando acorda passaram-se apenas quatro minutos; que decepção, nem é Natal ainda. Mas mesmo assim dá uma espiada em baixo da árvore e nada encontra; “- Que demora...” Triste, dá um pulo na cama e adormece por falta de opção. Sente-se como estivesse no mais fundo de seus sonhos e, talvez, desejasse que nunca mais amanhecesse o dia, quando, sente cheiro de café. Abre os olhos e passaram mais quatro minutos de sono; hoje a noite não passa! Começa a imaginar coisas, momentos (aqueles que desejaria que nunca tivesse acabado), quando ouviu o canto de um pássaro; já era manhã. Corre, desenfreado para a sala e vai ver seu presente na árvore, ou na chaminé, ou sentado, ou na cozinha, qualquer coisa; mas não. Nada... Mais uma vez seu presente não chegou; mais uma vez.
“Talvez a espera esteja morrendo, mas nunca a vontade.”

- boa noite.

É quase duas da manhã. O telefone toca, porque você sabia que eu estaria acordado, e então pergunta: “Poderia me ajudar a concertar o último erro?” Eu desliguei sem saber o que fazer. O inverno foi a pior estação que passei longe de ti e quando eles estavam nos acusando com os olhos eu passei pela porta, mas você ficou; em pânico. Eles estão, pela mesma razão, aqui, esperando mais um para apontar; mesmo sem o direito, e você ainda não aprendeu isso. Tempos passaram e eu abri aquela porta e te vi (como uma luz no fim do túnel), com uma garrafa na mão, e me disseram que desde aquele dia você não tem estado mais na sobriedade; apenas sentou e bebeu tudo o que pode. Teu sorriso é tão lindo... quero te abraçar, mas talvez eu somente cante isso. Você olha na minha direção, gritando, porque está frio e solitário aí dentro. Mas se eu tirar-te cometerá os mesmos erros de novo e de novo. Apenas fique aí que eu estou saindo. É quase duas e quinze da manhã do outro dia e eu ainda não consegui dormir, acordado, olhando para o telefone e escrevendo aquela canção, colocando tudo no papel, tirando de dentro de mim, ameaçando aquela vida a quem pertence. Sinto-me nu expondo isso, porque é como um diário no meio da multidão e eles vão entender isso como quiserem, pois a vida é como uma ampulheta colada à mesa, responde até aquilo que nem foi perguntado.
“Eu não queria querer, mas sem querer eu quero e ainda vou deixar de querer.”

- seque-as.

Eu pedi pra ser assim, mas as lágrimas não eram para estarem inclusas, sabe?! Tudo era tão mais fácil há duas semanas atrás; talvez pra mim. E de repente tudo mudou e mudou novamente. Talvez eu saiba como se sente por dentro; talvez não. Não abaixe a cabeça para a tristeza e não a deixe te dominar. Nem tudo é como queremos, por hora, mas e o amanhã? Ele existe e nele existe a esperança, e a esperança diz que nada separará. Eu sei que ao amanhecer você se sentirá melhor, com a luz do sol. Por hora estarei alguns quilômetros de distância do frente-a-frente, mas eu sempre estarei aí; é só me procurar.
“Só diga que ficará bem...”

- uma dolorosa gargalhada.

Ele entrou em seu quarto, sentou-se defronte a um grande espelho com muita maquiagem e tinta na mesa; uma gama. Começou a pensar em tudo o que passou e a lágrima começou a pingar uma após outra. Então ele deu um grande sorriso, porque alguém bateu na porta; assim que ele se esconde. Pôs-se logo a pintar-se. Começou pelos olhos, depois seu queixo e finalmente a boca... ele deveria desenhar a tristeza que estava em seu coração ou desenhar o maior sorriso, para disfarçar e animar seu público? Talvez ele pintou-se como todos queriam vê-lo; igual a uma máscara. Vestiu-se e pôs sua peruca e animou aquele lugar, cheio de pessoas com expectativas. Aquele sorriso brilhava! Ele daria seu melhor esta noite, mas não passa de um acrobata que incendeia a dor dentro de si. Um sorriso maquiado irônico; a dor era a que tomava conta. E todos que o olhava pensariam que ele era a pessoa mais feliz de todas, mas a paz não existia ali; apenas uma ilusão. E, acabando aquele show, ele volta para seu quarto e começa a tirar a pintura de seu rosto com um algodão e suas lágrimas.
“É o que ele tenta ser que os alegram e faz isso muito bem.”

- pequenas luzes.

Você parece querer o escuro quando está tudo claro e querer o errado quando está tudo certo. Isso te faz bem? Sentir coisas opostas, enganando, dizendo que ainda ama? Isto está me deixando louco. Hoje você olha ao teu redor e vê tudo como gostaria que fosse; tudo como sonhou. Apenas esqueceu-se de tudo e começou do zero, como se a vida tivesse sido criada naquele momento; tudo em um piscar de olhos. Vai demorar muito tempo para você perceber que o tempo está passando? O mundo que está em suas mãos é o seu. Mas, se ele fosse meu, eu juraria que se não houvesse brilho no vasto céu, eu te esqueceria para sempre. Então olhei para o céu e dei um sorriso... dei um suspiro e continuei naquele momento, com aqueles pontinhos de luz.
“Porque o brilho delas ainda me lembra você.”

- o presente-passado.

O tempo deu um sinal, mas não disse que o sentimento tinha que morrer; esqueci. Do amor ferido, como qualquer homem assustado, guardo as lembranças. Às vezes penso que hoje é o dia mais triste da vida e então chega o amanhã e supera, engolindo palavras duras de se dizer e ouvir; apenas uma lágrima seca. Toda vez, ainda ouço sua voz chamando meu nome e olho para o nada e nada mesmo; eu sinto como chamas ardentes. Tentei dançar, mas não posso pegar a chuva; ela já caiu. Apenas um alguém que se foi e nunca disse adeus.
“Por que as flores insistem em querer morrer?”