- opressão.

Você está deitado pensando no que fazer daqui a pouco; um pensamento calmo e tranquilo. Sem pressa de levantar, vira-se de um lado para o outro, como se o tempo não importasse. Carros correndo acelerados, pássaros voando sem direção e o vento bem forte, e sua única preocupação é em continua a pensar. Em volta está uma penumbra e um barulho que parece não parar nunca. Sua barriga grita de fome e a boca pede água, mas a coragem está tão distante... apenas parem que quero continuar pensando! Vem a ansiedade e a impaciência para fazer-te sair dali, mas alguma força está puxando você, prendendo-te naquele lugar. Está cercado por paredes escuras e na janela não entra ar nenhum; ele está acabando. Você começa a suar e dispensa seu edredom, mas ele insiste em voltar. Alguma coisa não parece estar certa, porque começa a sentir outra força, uma incontrolável que nada consegue impedir; nada. Você explode e comete um erro.
“Apenas cale-se, ninguém precisa saber...”

- sim, ainda melhora.

E finalmente o verdadeiro sorriso voltou. Talvez ele andou perdido, escondido atrás do falso sorriso ou alguém o roubou; mas agora voltou. Ninguém o tirará; ele não vai mais embora. Talvez coisas do passado devem ficar no passado e é isso. Amor? Sempre existiu e sempre existirá, porque “eu te amo” é pra vida inteira, pelo menos pra mim que sei realmente o seu verdadeiro significado, mas essa não é uma dádiva pra todos. Apenas veio, fez-me muito bem, depois fui jogado num poço que, toda vez que eu caia no fundo abria-se um outro buraco; não tinha fim. Mas dessa vez desejei uma cama elástica e ela apareceu, e junto com ela uma novidade de vida, onde “caiu e chorou” serão somente dois verbos de continuação da frase “de rir”, nada mais. As lágrimas nunca conquistaram nada; e não vão. Apenas, adeus passado...
“... e olá futuro, ainda bem que você não desistiu de mim, estou aqui novamente; destemido.”

- onde estou?

Aqueles que eram seus amigos hoje são desconhecidos e seus desconhecidos são, agora, seus amigos. Aqueles que você ama te desprezam e os que você despreza estão atrás de ti. O sol está frio e a lua bem quente. Os insanos estão à solta e os equilibrados estão presos. O silêncio está gritando e a voz calou-se. O abraço está frio e a solidão te aquecendo. O sorriso se apagando e o escuro brilhando. Os jovens velhos, os anciãos voltaram a ser criança. A roda gigante parou, mas o tempo não. Alcanço o infinito, mas o limite está se distanciando. O ontem voltou e o amanhã parece não querer chegar...
“Me encontro em algum lugar paralelo entre a realidade e o sonho.”

- não tão sóbrio.

Então encontro-me sentado em frente a um lago. As pessoas estão indo embora, os pássaros se escondendo e o sol fugindo. Seus companheiros são um cigarro e uma garrafa de whisky já pela metade com laranja; quente. Parece que estou meio desorientado, mas só queria estar na cama certa do lado errado. Pra que tantas desculpas? O amor machuca e acaba com todos, não lhe restando mais nada a fazer. Mesmo assim entendo, a não ser o dia que deixou-me; indo embora, sentado. Eu esperando que poderia fazer algo ou impedir que eu fosse de alguma forma, mas vi apenas suas costas. Nunca mais terei aquele abraço que me prometeu quando rasgou meu coração; talvez nem teus olhos. Talvez eu farei um aquecimento para tentar esquecer e congelar os sentimentos, mas sempre meus olhos chamam seu nome. Sem palavras na boca, sem sentimentos nos coração; somente a frieza outra vez. Nada mais de planos para o final de semana, nada mais de ver o teu brilho. Não há curas em apertos de mãos! Estou sem paciência, pois fui cortado da raiz como uma árvore. O whisky continua do meu lado e nunca quebrou meu coração. Apenas rasgue-me como uma folha, pois a dor sempre me fez mais forte.
“O coração é burro, sempre.”

- bem aí.

E quando você fechar os olhos e dormir, ali eu estarei, te observando calmamente. Seja nos pesadelos ou nos mais doces sonhos, estarei presente. Na angustia, nas lágrimas, na solidão, na felicidade, no desespero; ao teu lado. Pode não ser fisicamente, pode não ser claramente, mas ali vou estar. Seja em sonhos, ou com os olhos fechados no meio da rua; andando, ou até mesmo escrevendo coisas. Mesmo que não saiba e ainda que não sinta o mesmo, mesmo que cada um tenha seu rumo... perto vou estar; admirando-te.
“Nem contato físico nem o visual precisaram existir. Apenas o brilho do sorriso.”