- águas de março.


Eu costumava a viver no tempo em que o tempo tinha ponteiro, onde tudo se degustava com atenção e com calma; os minutos eram horas e as horas, dias. O apreciar, o amar, o paladar, as estrelas e a lua, a noite de sono, o mar e o tempo para si mesmo... cadê? Para onde foi tudo isso? Se escondeu? Quem escondeu? Ou eu perdi? Tudo parece tão rápido agora, sabe?! Os dias, as folgas, o ar... Tanta coisa mudando em tão pouco tempo... Estou vivendo em dias em que tenho um lápis, mas não tenho uma borracha; se errou, fica errado. Um casal se amando, os grilos soando, os pássaros cantando, as estrelas brilhando, uma leve chuva e um guarda-chuva pros dois, uma tarde no campo para ler um livro, um piquenique, cadê? Mas cadê mesmo? Hoje existe apenas o barulho de celular, carros buzinando com pressa, pessoas guardando cada dia mais ódio e perdoando menos, olhos sangrando, um homem que ficou com uma mulher, que ficou com outro homem e depois com outra mulher, interesse e dinheiro.

“Como eu queria voltar ao jardim da inocência.”

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