- palavras do coração.


Meticulosos sentimentos se esvaíram pela minha cabeça, formando uma nuvem de espessura fina, cinza e predominante. E sem saber ao certo porque estava ali, simplesmente aceitei-a e fiz dela o meu lugar secreto, onde guardava sentimentos e bondade. Sentia-me feliz por me esconder e por aquela presença sentir, na qual lágrimas me acompanhavam, me fazendo “feliz” e “realizado”. Adaptei-me dessa forma de vida onde era tudo mais fácil, porém nem tudo era mais bonito, onde tudo era mais escuro e não havia a luz, onde necessitava de um “hospedeiro” para poder viver, onde eu era o segundo lugar, onde as flores negras, sem perfumes, não brotavam, onde a música tocava um falso som... E, perdendo todas as pessoas em minha volta, não importei com a solidão e continuei. E como no fim de uma noite, onde as estrelas tem a vergonha de aparecerem para brilhar junto à Lua, que também não aparecera, os brilhos dos olhos se igualaram ao céu, apagando-se e tornando-se um vazio paradoxo e obscuro. Caminhando sobre um falso caminho subtraído de felicidade, sentei em baixo de uma árvore junto a você e quando de repente surge uma luz intensa, com fragmentos de paz, onde iluminava somente a você. Seguiu esse caminho e me deixaste embaixo da árvore, sem olhar para trás, nem ao menos se despedir, nem ao menos pensar... Tentei trazer de volta, mas já era tarde; essa luz já havia te dominado, e, mesmo que eu continuasse tentando, não conseguiria, pois minha voz não penetrava adentro dessa luz. Então, embaixo daquela árvore permaneci por mais algumas horas, sem saber para onde foi, porque foi e com quem foi. E, ao dormir, novamente em minha cama, com o cair da noite, simultaneamente, o frio aconchegou-se em mim, expulsando todo o calor que eu havia absorvido. E por um momento, senti um arrepio que veio subindo da minha espinha e que terminava na ponta do meu nariz. Só sei que não foi o frio que isso causou, pois me aqueci novamente, por poucos segundos, lembrando-me dos seus olhos. E voltando a me resfriar, aludo-me com uma fotografia deixada de lado. Foi então que fragmentos daquela mesma luz voltaram para me levar junto, onde avistei-te, agora vivaz,onde tentou adjudicar-me que poderia ter a mesma abundância daquela luz, era só eu querer; e poderia subsumir-me cheio de paz, luz, e felicidade eterna, mas agora, de maneira diferente deveria te ver. Despautério eu fui e não aceitei tamanha injustiça e ignorei blasfêmias ditas e tentei te puxar de volta, mas eu não podia atravessar a luz. Tentei chorar para conseguir aqueles sentimentos antes prevalecentes, mas consegui apenas misericórdia. Inibido de entendimento lógico fechei os olhos e quando abri a luz havia sumido. Agora minha tristeza setuplicou, pois a quem sempre do meu lado esteve, não estava mais (à minha vista), pois sempre esteve ali, apenas eu que não enxergara. Decidi livrar esse “ser” que agora se tornara luz na minha vida. Tentei, resisti, mortifiquei, mas nunca consegui se quer afastar, quanto mais apagar ou me livrar, pois, como estava do meu lado, andava sempre assombrando-me. Foi então que, ao perceber o exagero, onde por mais que eu tentasse nunca iria conseguir, me entreguei a seu modo de vida, mas não por completo ainda... Aos poucos estou vendo as cores dos girassol, mas não sinto seu cheiro, e vendo as abelhas pegar o pólen. A luz do Sol tão forte,mas ainda não sinto seu calor, e a Lua, por incrível que pareça, está mais iluminada, brilhando mais que o próprio Sol. E as estrelas... nunca havia visto tantas juntas; brilhosas e celestial, mas ainda não enxergo seus caminhos. Ouço ruídos rítmicos, que me parecem músicas e vejo sempre essa luz, que insiste em me puxar para dentro, onde não estou mais tendo forças para resistir... Tento uma forma eficiente de inibi-la, mas parece que já tomou conta de um pedaço meu. Ela ainda não tem o maior pedaço, preponderante, mas está se engrandecendo. Tudo em minha volta está engrandecendo. Pessoas que antes eu odiava estou sentindo falta, problemas com todos estão sumindo, e com o psicológico meio afetado estou me transformando... Para ter Ele, a felicidade eterna que me prometeram, me afastando das sombras para nunca mais voltar. Apenas ter paciência para adaptar. E se me perguntarem, agora, e o passado?
A resposta é simples: "O passado já passou e o futuro deixarei pra Ele."

1 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Lindo texto.
Linda ponte entre o passado e o possível futuro. Vejo claramente a dor de outrora e a esperança no horizonte.
Amei.

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